Pesquisa aponta que 64% apoiam aborto legal para meninas de até 14 anos vítimas de estupro
Pesquisa inédita mostra que 64% dos brasileiros defendem que uma menina com menos de 14 anos grávida por estupro possa escolher interromper a gestação de forma legal e segura em hospital público.
Apenas 16% são contra.
Dos 87.545 casos de estupro registrados em 2024 no Brasil, 60% das vítimas eram meninas com menos de 14 anos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Somadas as adolescentes de 14 a 17 anos, 69,7% das vítimas tinham menos de 18 anos.
Saiba as últimas notícias de Curitiba e Paraná: entre na comunidade do Bem Paraná O levantamento foi feito pelo instituto Ipsos-Ipec a pedido do Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a campanha Criança Não é Mãe.
Foram ouvidas 1.200 pessoas em todo o país, em março deste ano, exclusivamente pela internet.
O resultado da pesquisa indica que os entrevistados reconhecem os efeitos da violência sexual sobre meninas e apoiam, de forma consistente, os direitos que a legislação já garante.
A maioria defende que as vítimas tenham acesso a assistência psicológica imediata (89%) e a informações sobre como evitar infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada (72%).
Estudo da ONG Plan International, contudo, já mostrou que apenas metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos após sofrer estupro recebeu informações sobre direito ao aborto legal.
Segundo o novo levantamento, o aborto é percebido como questão de saúde pública, não como tema religioso.
Metade dos entrevistados considera que o assunto deve ser debatido por órgãos da área da saúde, enquanto 19% mencionam instituições ligadas ao Legislativo e à Justiça.
O campo religioso foi citado por apenas 3%.
Para a advogada Letícia Ueda Vella, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e integrante da campanha Criança Não é Mãe, a pesquisa deixa evidente o apoio da população ao aborto legal para meninas em caso de estupro.
“Espero que a nossa pesquisa contribua para desconstruir falsas percepções sobre o assunto e mostrar, de forma clara, que a população apoia esse direito”, afirma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.