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O sistema de saúde também como vítima do clima

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O sistema de saúde também como vítima do clima

O El Niño volta a bater às nossas portas, trazendo consigo a possibilidade de extremos que, embora diferentes entre si, expressam um mesmo desequilíbrio climático: em algumas regiões, a escassez de água; em outras, chuvas intensas e enchentes.

Estamos habituados a pensar nos efeitos dessas alterações sobre a saúde das pessoas.

O calor agrava doenças cardiovasculares e respiratórias; as enchentes favorecem infecções, acidentes e deslocamentos populacionais; secas e queimadas comprometem a qualidade do ar e impõem novas pressões sobre populações vulneráveis.

Diante de tudo isso, hospitais, unidades básicas, ambulâncias e equipes de saúde são vistos como a última linha de defesa.

Há, contudo, uma premissa pouco discutida nessa expectativa: a de que o sistema de saúde permanecerá funcionando enquanto o ambiente ao seu redor entra em crise.

Nem sempre será assim.

O mesmo evento que aumenta o número de pessoas necessitando de atendimento pode, simultaneamente, reduzir a capacidade de atendê-las.

Uma enchente tem tudo para bloquear ruas e estradas, interromper o fornecimento de energia, comprometer o abastecimento de água, as comunicações e a chegada de medicamentos e insumos.

Pode também impedir que médicos, enfermeiros, técnicos e pacientes alcancem hospitais e unidades de saúde.

Em outras palavras, a procura cresce exatamente quando a capacidade de resposta tem chance de diminuir.

Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes da preparação dos sistemas de saúde para as mudanças climáticas: compreender que não basta prever o aumento da demanda.

É necessário também proteger a própria capacidade de funcionamento.

A medicina oferece uma analogia útil.

O organismo humano possui aquilo que chamamos de reserva funcional.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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