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Ciência

Nariz achatado é a razão por que os macacos nunca poderão falar como os humanos

Folha · Ciência ·
Nariz achatado é a razão por que os macacos nunca poderão falar como os humanos

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Professora titular no Departamento de Biologia Animal da Universidade de Málaga

Não gostamos dos nossos narizes. Ou pelo menos é o que transparece de um relatório da Sociedade Espanhola de Cirurgia Plástica, Reparadora e Estética (Secpre), segundo o qual a rinoplastia é a quinta cirurgia mais realizada no mundo, e não exatamente por motivos de saúde .

De fato, as rinoplastias chegam a representar até 10% das cirurgias estéticas realizadas na Europa e nos EUA , com a Espanha ocupando uma das primeiras posições nesse ranking. As mais de 1,08 milhão de cirurgias de remodelação nasal realizadas em 2024 nos mostram, claramente, que narizes pequenos e arrebitados parecem constituir um bem estético muito cobiçado.

Mas se soubéssemos a quantidade de funções que um nariz bom e proeminente desempenha, muito provavelmente olharíamos para nosso apêndice nasal com olhos mais benevolentes. Especialmente conhecendo sua importância na revolução cultural que levou ao surgimento dos seres humanos .

A priori, podemos pensar que respirar seria perfeitamente viável por meio de um simples orifício de contato das vias respiratórias com o exterior. Assim, poderíamos tanto nos oxigenar quanto cheirar, as duas funções aparentemente básicas do nariz. Esse apêndice chamativo, no entanto, faz algo a mais, e extremamente importante, com o ar: o condiciona em temperatura e umidade antes que chegue à nossa nasofaringe.

Se não fosse assim, nossas vias respiratórias ressecariam em ambientes muito áridos, ou os epitélios que revestem a traqueia, os brônquios e os pulmões congelariam em regiões polares. Em ambas as circunstâncias, morreríamos pela impossibilidade de difusão do oxigênio dos epitélios alveolares para o nosso sangue. Mas mesmo sem chegar a situações tão drásticas, vias respiratórias ressecadas diminuem a função mucociliar, o que aumenta o risco de infecções respiratórias.

A evolução do nariz humano, no entanto, levou a coisas ainda mais surpreendentes.

Você já se perguntou por que nossos "primos simiescos" exibem narizes bastante achatados, enquanto nós ostentamos, bem no meio do rosto, um promontório nasal mais do que proeminente? Em geral, os primatas costumam ter narizes bastante achatados, e parece que isso lhes basta para desempenhar as funções nasais básicas. Não poderíamos nós também sobreviver com narizes menores?

Na verdade, trata-se de uma ilusão de perspectiva. Não é que os bonobos, chimpanzés e gorilas quase não tenham nariz, mas sim que seu focinho prognático —com o maxilar inferior (mandíbula) e superior (maxila) projetados para a frente— faz com que ele mal se destaque do plano. Em outras palavras, grande parte do nariz está incluída no focinho .

A linha evolutiva que levou aos humanos, como já sabemos, revolucionou muitos aspectos anatômicos, e também afetou a forma do nariz. O que realmente ocorreu foi uma revolução na integração morfológica existente entre diferentes regiões do crânio de nossos ancestrais (região nasal, maxilar, pré-maxilar, base do crânio e mandíbula inferior).

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ciência.

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