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Mudanças no Nordeste edireita competitiva testamsolidez do eleitorado lulista

Folha de S.Paulo ·
Mudanças no Nordeste edireita competitiva testamsolidez do eleitorado lulista

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A poeira sobe com o trote dos cavalos, montados por homens e mulheres que entram no parque de vaquejada com um ar grave, como que em uma procissão. São moradores das cidades dos arredores que rumaram para Serrita, no sertão central de Pernambuco , para participar da Missa do Vaqueiro .

A cerimônia, que une religiosidade e cultura sertaneja, nasceu como uma denúncia contra a violência e a impunidade. A missa celebra a memória de Raimundo Jacó, vaqueiro assassinado em 1954, em Exu (PE), quando saiu para buscar uma rês desgarrada. O crime ficou impune.

O terreno é descampado e árido, com barracas montadas em semicírculo. No centro da arena em formato de ferradura, estão vaqueiros devidamente trajados com gibão , perneira e chapéu de couro. Acima, drones zunem de um lado para o outro em busca da melhor imagem.

Em cima do seu cavalo, Alberto Júnior, 29, meneia a cabeça com os olhos fechados quando as caixas de som tocam "A Morte do Vaqueiro", célebre canção de Luiz Gonzaga . Uma conversa ao pé do ouvido revela um jovem antenado na política.

O vaqueiro reconhece o legado do também pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), mas fala com desencanto sobre o país. Diz que vai tentar um novo caminho nas eleições de outubro: sua escolha é Renan Santos (Missão), candidato que conheceu em vídeos na internet.

A escolha vai na contramão de muitos de seus conterrâneos, que continuam lulistas convictos. E indica um desafio para o atual presidente, que trabalha para manter o apoio nos estados que deram ao PT uma maioria ampla em todas as eleições presidenciais nos últimos 20 anos.

O Nordeste que vai às urnas em outubro não é um bloco monolítico: concilia prefeitos de direita, governadores de esquerda, e uma bancada de deputados na qual prevalece o centrão. Seu eleitorado é predominantemente católico, em parte conservador, mas não deu ao bolsonarismo a mesma força de outras regiões do país.

A consolidação do lulismo no Nordeste tem como marco o ano de 2006. Foi naquela eleição que Lula ampliou de forma expressiva sua vantagem na região, estabelecendo um padrão de voto que se repetiria nas quatro eleições presidenciais seguintes.

"Houve um realinhamento da base da sociedade a partir de 2006 na direção ao apoio a Lula em função dos programas sociais, aumento real do salário mínimo, crédito consignado, dentre outros. Esse cenário tem se mantido de forma relativamente consistente", aponta o cientista político Antônio Lavareda.

A geografia do voto não é uniforme. O apoio a Lula é majoritário nas cidades do interior, e ainda maior nas áreas rurais mais pobres. Nas capitais, o cenário é mais equilibrado, com maior prevalência do petista em Salvador e Recife.

Em 2026, 8 dos 9 governadores declararam apoio ao presidente, que lidera com margem ampla na região.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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