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Brasil

O dever de desagradar

A Tarde ·
O dever de desagradar

O avanço dos ataques à imprensa durante as campanhas de primeiro e segundo turnos das eleições liga a sirene de alerta para a democracia brasileira.

A violência contra jornalistas e veículos de comunicação ultrapassa os limites da divergência política e alcança o território da intimidação.Quando profissionais da informação se tornam alvo de campanhas de ódio, toda a sociedade sofre os efeitos, pois a imprensa transporta os nutrientes do livre debate.

Os dados confiáveis revelam 14 mil agressões entre agosto e outubro.

A cobertura jornalística incomoda quem precisa desacreditar fatos confirmados.O cenário ganha contornos graves diante da quantidade de ofensas dirigidas às mulheres jornalistas: agressões misóginas, insultos pessoais e estímulos à violência.

Trata-se de uma prática incompatível com qualquer ambiente democrático e plural, pois da imprensa depende a circulação de vozes, versões e verdades.

A crítica à atuação da imprensa deve ter espaço necessariamente legítimo.

Questionamentos, cobranças e opiniões divergentes fazem parte da vida pública.

O problema surge quando a crítica é substituída pela perseguição, pelo constrangimento e pela tentativa de desqualificar profissionais da notícia.Expressões ofensivas e acusações infundadas passaram a circular com frequência cada vez maior, enfraquecendo a confiança da população nos mass-media.

Sem referências confiáveis, cresce o espaço para boatos, teorias conspiratórias e desinformação, prejudicando a fiscalização do poder e a transparência das gestões.fiscalização do poder e a transparência das gestões.

Ataques sistemáticos contra jornalistas produzem efeitos muito além das redações.

O impacto alcança o direito coletivo à informação de qualidade ineludível.

Sempre haverá divergências políticas.

Ademais, se profissionais desagradam fontes de informação envolvidas em ilícitos, estão – "apenas" – cumprindo seu dever.

As eleições deixam uma lição importante.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.

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