Queda do minério de ferro deve pressionar mineradoras, diz colunista
O minério de ferro enfrenta um momento de forte pressão, com os preços da commodity em trajetória de queda nos últimos dias.
O contrato mais negociado para janeiro na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian), na China, fechou o pregão em queda de 1,1%, a US$ 101,11 por tonelada, operando abaixo da marca dos 100 dólares em determinados momentos.
Ao mesmo tempo, o custo do frete marítimo para a China tem superado os 40 dólares, agravando ainda mais o cenário para as mineradoras brasileiras.
Gustavo Roque, colunista do CNN Infra , avaliou que a situação, embora desafiadora, tem caráter cíclico.
“Para quem está acostumado com mineração e, sobretudo, com mineração de ferro, sabe que esses ciclos ocorrem há bastante tempo”, afirmou.
Leia Mais ONS eleva previsão de crescimento da carga de energia no Brasil em outubro Vale conclui venda do controle de complexo de níquel no Canadá Mineradora canadense aumenta produção de ouro em 30% em MG Desafios logísticos e operacionais Gustavo Roque destacou que as grandes mineradoras tendem a ser menos vulneráveis à pressão atual, pois muitas dispõem de portos e ferrovias próprios ou operam com contratos de longo prazo a custos reduzidos.
O cenário mais crítico recai sobre as empresas de médio e pequeno porte, que precisam contratar serviços logísticos no mercado aberto, em concorrência com outras commodities.
“O desafio talvez esteja mais dentro de casa, daquilo que as mineradoras conseguem gerenciar”, disse, referindo-se ao custo de produção, ao transporte interno e ao beneficiamento do minério.
Algumas empresas já estariam tomando medidas para mitigar os impactos.
Gustavo Roque citou movimentos de criação de terminais logísticos como estratégia para reduzir custos de frete ainda no território nacional, antes do embarque nos portos.
“Vai ser um momento difícil, mas algumas mineradoras já estão se ajustando e outras talvez precisem se ajustar”, pontuou.
Impacto em cascata sobre municípios e royalties A redução das operações mineradoras pode gerar um efeito cascata significativo ao longo de toda a cadeia produtiva.
Segundo Gustavo Roque, a queda no volume de produção implica redução no transporte, nos serviços diretamente conectados e no recolhimento da CFEM — os royalties pagos a municípios, estados e à União.
“Você vê que tem um efeito cascata muito grande”, alertou.
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