Congresso da Nicarágua aprova reforma de Ortega para eleições sem oposição
O Congresso da Nicarágua aprovou nesta terça-feira (1) uma reforma constitucional que proíbe partidos de oposição de participarem das eleições e amplia o mandato presidencial.
A medida é apoiada por Daniel Ortega, que chegou a declarar o fim das eleições no país, e sua esposa, a copresidente Rosario Murillo.
A reforma foi aprovada em primeira votação na Assembleia Nacional e deve ser ratificada em segunda votação no início do próximo ano.
A iniciativa já havia sido criticada anteriormente pelos Estados Unidos e por outros países da região.
Além de excluir a oposição das eleições, a reforma também amplia de seis para sete anos os mandatos dos copresidentes e de outros funcionários eleitos, assim como dos comandantes das Forças Armadas e da polícia.
Leia mais “Não negue à Nicarágua direito à eleição”, pede ex-vice de Ortega a Lula Países das Américas condenam plano da Nicarágua de acabar eleições livres Democracias latino-americanas enfrentam alertas, mas ainda resistem Ortega havia descartado, em julho, a possibilidade de realizar novas eleições no país , com o objetivo declarado de impedir que a oposição chegasse ao poder.
Logo em seguida, a Assembleia Nacional da Nicarágua passou a elaborar um plano para implementar a ordem de Ortega.
Vários países da América Central, além de Bolívia, Brasil e Chile, criticaram a declaração de Ortega , considerada um novo retrocesso democrático.
Os Estados Unidos, por sua vez, pediram à comunidade internacional que isolasse o governo nicaraguense, enquanto o Panamá retirou seu embaixador de Manágua.
Há anos, opositores denunciam fraudes eleitorais e a falta de liberdades civis.
Em 2024, o partido governista aprovou uma reforma que ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou Murillo, então vice-presidente do país, à condição de copresidente.
A reforma também adiou as eleições presidenciais, originalmente previstas para o fim deste ano, para o final de 2027.
“Não negue à Nicarágua direito à eleição”, pede ex-vice de Ortega a Lula | BASTIDORES CNN Ex-guerrilheiro de esquerda, Ortega assumiu seu quarto mandato consecutivo em janeiro de 2022, após vencer uma controversa eleição em novembro do ano anterior.
Próximo de completar 81 anos, Ortega ajudou a derrubar a família Somoza no fim dos anos 1970 e, com quase duas décadas no poder, é o líder há mais tempo no cargo nas Américas.
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