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A cidade onde milhares de pessoas viveram em casas escavadas na encosta e transformaram a rocha em moradia

O Antagonista ·
A cidade onde milhares de pessoas viveram em casas escavadas na encosta e transformaram a rocha em moradia

Casas, igrejas e cisternas escavadas na rocha transformaram uma encosta italiana em uma cidade habitada durante gerações

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No sul da Itália, bairros inteiros parecem nascer diretamente das paredes de um profundo desfiladeiro calcário. Em Matera , cavernas naturais foram ampliadas e transformadas em casas, igrejas, depósitos e cisternas durante séculos, formando um dos conjuntos trogloditas mais completos do Mediterrâneo e uma paisagem urbana moldada literalmente dentro da rocha.

A ocupação da região remonta à Pré-História, mas as habitações ficaram progressivamente mais complexas. Cavidades naturais eram aprofundadas, enquanto os blocos retirados durante a escavação serviam para construir fachadas, paredes e novos cômodos diante das próprias grutas. Dessa combinação surgiram os bairros conhecidos como Sasso Caveoso e Sasso Barisano.

A organização tornou-se tão integrada ao relevo que o teto de uma casa podia funcionar como rua ou passagem para outra construção localizada acima. Igrejas, oficinas, estábulos e sistemas de armazenamento de água também foram inseridos nessa rede, transformando a encosta em uma cidade sobreposta em diferentes níveis.

Escavar ambientes dentro da rocha oferece uma vantagem térmica importante. A grande massa de material ao redor das habitações demora a aquecer e esfriar, reduzindo as oscilações rápidas de temperatura encontradas no exterior. Isso ajudava principalmente durante os verões quentes e também diminuía as mudanças térmicas durante as estações mais frias.

Portanto, as moradias não foram criadas simplesmente para fugir de um “frio extremo”. Estudos de desempenho ambiental classificam os Sassi como exemplo de arquitetura bioclimática mediterrânea, embora cavernas profundas sem ventilação adequada também possam apresentar problemas de umidade e conforto.

Este vídeo da UNESCO apresenta os Sassi e mostra como as habitações foram incorporadas à paisagem rochosa.

A área histórica preserva mais de mil habitações, além de oficinas, igrejas e outras estruturas. Ao longo do tempo, esses espaços abrigaram uma população numerosa, especialmente antes das grandes intervenções urbanas do século XX.

As condições, porém, mudaram profundamente conforme o número de moradores aumentou. Famílias numerosas passaram a dividir espaços reduzidos, algumas vezes junto com animais, enquanto problemas de saneamento tornaram-se graves. Esse cenário levou o governo italiano a promover a transferência dos habitantes dos Sassi durante a década de 1950.

Em 1952, uma lei de reabilitação determinou a retirada progressiva de moradores das antigas casas-gruta. O problema não era simplesmente a arquitetura escavada, mas a combinação de pobreza, superlotação, infraestrutura inadequada e condições sanitárias incompatíveis com os padrões urbanos modernos.

A desocupação interrompeu durante décadas parte da utilização tradicional dos Sassi.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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