Lula vira ex-Lula ao defender redução da maioridade penal
Na entrevista à TV Globo, Lula captou o sentimento de mudança que ameaça seu plano de continuidade. Num esforço derradeiro para manter tudo como está, decidiu mudar a si mesmo. Não foi uma transformação qualquer. Em matéria de segurança pública, Lula se virou do avesso . Passou a defender aquilo que sempre rejeitou: a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos.
Em mandatos anteriores, Lula disse o oposto quando confrontado com crimes horripilantes que envolveram adolescentes de 16 anos. " Reduzir a maioridade penal não reduz o problema da violência", disse Lula em 2003 , quando o debate foi incendiado pelo caso da estudante Liana Friedenbach, estuprada e assassinada pelo adolescente conhecido como Champinha. Manteve a posição em 2007 , depois que assaltantes roubaram um carro e arrastaram por quilômetros o menino João Hélio, de seis anos, preso ao cinto de segurança. Entre os envolvidos estava um adolescente.
Em matéria de punição da adolescência facínora, Lula ficou mais próximo de Flávio Bolsonaro do que do PT e de seus aliados. É como se concluísse que dilemas tradicionais da esquerda se tornaram inúteis depois que as urnas premiaram o bolsonarismo com as maiores bancadas da Câmara e do Senado. Para evitar que a onda vire à direita também no Planalto, Lula passou a soar como ex-Lula. Não converterá bolsonaristas em lulistas. Mas espera seduzir independentes e indecisos.
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