Custo da Bolsa no Brasil pode ser 20 vezes maior do que em outros países, diz CEO da Base Exchange, futura concorrente da B3
A Base Exchange , futura concorrente da B3 no mercado brasileiro de capitais sediada no Rio de Janeiro, pretende entrar em operação até o fim de 2027 com uma proposta de ampliar a concorrência, reduzir custos e estimular o investimento em ações de empresas brasileiras.
Controlada pelo fundo soberano Mubadala Capital, de Abu Dhabi, a companhia aposta no desenvolvimento de tecnologia própria e na experiência acumulada com a Floa , seu braço de negociação eletrônica que atende corretoras e gestores de recursos há 16 anos.
A trajetória da Base, no entanto, começou muito antes da perspectiva de uma nova bolsa no Brasil.
A empresa iniciou há mais de uma década um movimento para viabilizar a concorrência no setor, em um cenário no qual a B3 concentrava as principais infraestruturas do mercado e, segundo o CEO da companhia, Francisco Gurgel , não havia regras que permitissem a entrada de novos participantes.
Em 2017, a companhia levou a questão ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) , questionando as barreiras à concorrência e a dificuldade de acesso a serviços essenciais prestados pela B3.
Dois anos depois, o órgão determinou que a bolsa disponibilizasse serviços de compensação e liquidação e de depositária central a novos entrantes, além de orientar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a discutir uma regulamentação para permitir a competição.
A mudança regulatória veio com a Resolução CVM 135 , de 2022, que estabeleceu regras para a atuação de mercados organizados e abriu caminho para a entrada de novas infraestruturas no país.
“Hoje, quando você vê outras infraestruturas querendo entrar nesse mercado, é porque esse trabalho nosso foi feito.
É porque existe uma regulação hoje e porque a B3 tem um contrato para prestação de serviço de depositária.
Tudo isso foi fruto do nosso trabalho”, afirma Gurgel, em entrevista ao Money Times .
Da Floa à Base Exchange A Floa é o ponto de partida da estratégia da companhia.
Há 16 anos, a empresa oferece tecnologia para que corretoras e gestores de recursos executem ordens de compra e venda de ações e derivativos listados na B3.
Segundo Gurgel, a plataforma atende a 100% das corretoras brasileiras e mais de 50 gestores de recursos , sendo responsável por aproximadamente 8% do volume negociado em ações na bolsa brasileira.
A diferença em relação às novas concorrentes da B3, de acordo com o executivo, está no desenvolvimento interno dos sistemas.
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