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Quadrilha que vende dados pessoais para golpistas é alvo da polícia em seis estados

Por Redação 5News · · com informações de Veja
Quadrilha que vende dados pessoais para golpistas é alvo da polícia em seis estados

Operação policial desmantelada rede de tráfico de dados pessoais com movimentação de milhões em seis estados

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma ação de grande envergadura nesta quinta-feira, 24 de outubro, que resultou na identificação e prisão de treze indivíduos integrantes de uma organização criminosa especializada na comercialização ilegal de informações pessoais. A operação, que atingiu simultaneamente cidades nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Piauí e Pernambuco, visou desarticular o que investigadores descrevem como uma engrenagem bem estruturada de roubo, processamento e venda de dados de cidadãos brasileiros a outros criminosos na internet.

A investigação e seus achados

As investigações, que duraram vários anos, revelaram uma máquina criminosa com funcionamento empresarial. O grupo conseguiu acumular um patrimônio ilícito impressionante, tendo movimentado pelo menos sete milhões de reais entre março de 2021 e março de 2026. Apenas no exercício de 2025, os indícios apontam que a quadrilha teria recolhido aproximadamente quatro milhões de reais com a atividade delitiva.

Conforme relatado pela polícia, os integrantes do bando conseguiam obter dados pessoais por meio de vazamentos já existentes de bases de dados e, principalmente, através de invasões diretas de sistemas de instituições públicas, conselhos profissionais responsáveis pela regulamentação de profissões, e empresas prestadoras de serviço de telecomunicações. Posteriormente, colocavam à disposição dos clientes criminosos uma base de dados que comportava centenas de milhões de registros, incluindo números de inscrição no Cadastro de Pessoa Física, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, endereços residenciais e comerciais, nomes dos responsáveis pelos cadastros e informações sobre processos em tramitação no Poder Judiciário.

O modelo de negócio adotado pela organização funciona como um serviço por assinatura. A quadrilha desenvolveu uma plataforma disponível na internet pela qual os usuários, mediante o pagamento de taxas mensais recorrentes, obtinham acesso ao acervo de dados comprometidos. Essa estrutura de geração de receita contínua permitiu que os membros da organização consolidassem suas operações ao longo do tempo.

A divisão de tarefas e o planejamento de expansão

As apurações indicam que a quadrilha funcionava com grande sofisticação operacional, contando com membros designados para funções específicas e complementares. Havia programadores responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção da infraestrutura tecnológica. Havia também gestores cuja responsabilidade era administrar os recursos financeiros obtidos com as atividades criminosas. Especialistas em invasão de sistemas, comumente chamados de hackers, eram responsáveis pela obtenção das bases de dados. Indivíduos dedicados especificamente ao crime de estelionato usavam os dados roubados para aplicar fraudes contra terceiros. Por fim, havia operadores que se valiam de contas de laranjas, isto é, contas bancárias e comerciais em nome de terceiros, com o fim de disfarçar a origem e o destino dos recursos ilícitos, utilizando-se inclusive de criptomoedas e da constituição de empresas de fachada para criar camadas adicionais de ocultação.

Além de toda essa estrutura montada, a investigação aponta que o grupo estava em fase de preparação para colocar em funcionamento uma segunda plataforma de distribuição de dados. Esse novo empreendimento criminoso representaria uma expansão significativa do esquema e teria o potencial de aumentar consideravelmente os lucros da organização.

Ações de busca e apreensão

Nos procedimentos executados, os agentes policiais se dirigiram aos endereços ligados aos membros da quadrilha e conseguiram apreender uma quantidade substancial de bens e documentos. Entre os itens recolhidos estavam computadores utilizados para administrar as operações, aparelhos celulares, documentos diversos que comprovavam as atividades criminosas e armas. O levantamento de patrimônio realizado posteriormente permitiu que a Justiça autorizasse o bloqueio de aproximadamente sete milhões de reais em bens de propriedade dos investigados. Esse acervo inclui imóveis de alto padrão, veículos de luxo e até uma embarcação, sugerindo que os membros da organização teriam investido os ganhos ilícitos em bens de consumo conspícuo.

Contexto: o comércio de dados e a vulnerabilidade digital

O caso trazido à luz pela operação policial evidencia um problema estrutural que afeta a segurança de dados em território nacional. A venda ilegal de informações pessoais tornou-se um negócio de grande escala no mercado criminal digital, alimentado tanto por vazamentos acidentais quanto por invasões deliberadas de sistemas. Cybercriminosos ao redor do mundo identificaram que a informação pessoal é um bem valioso e negoциável, gerando receitas significativas especialmente quando o volume é expressivo.

As bases de dados públicas e de empresas privadas tornaram-se alvos cada vez mais atraentes, particularmente aquelas que reúnem informações sensíveis sobre cidadãos. Conselhos profissionais, registros de governo e operadoras de telecomunicações acumulam dados suficientemente ricos para que criminosos especializados invistam em sua captura. O vazamento de informações deixa rastros pouco visíveis para os afetados até o momento em que a informação passa a ser utilizada para fraudes.

Os crimes investigados neste caso incluem estelionato, que envolve obter vantagem econômica através de engano; organização criminosa, pela estrutura coordenada da quadrilha; lavagem de dinheiro, pela dissimulação da origem dos recursos; invasão de dispositivos digitais, pelos acessos não autorizados aos sistemas; e receptação, pela aquisição e distribuição de bens de origem ilícita. A soma das penas que podem ser aplicadas aos envolvidos, conforme especificado nos autos, ultrapassa significativamente trinta e seis anos de prisão.

O que acompanhar

Os próximos desdobramentos incluem a continuidade dos procedimentos investigativos para identificar se há outros membros da organização ainda não localizados. As buscas pela segunda plataforma que estava em desenvolvimento também representam uma prioridade, de modo a identificar se houve transferência de dados ou continuidade das operações através de outras estruturas.

Será importante monitorar se a investigação conseguirá rastrear todos os clientes que adquiriram acesso à plataforma de distribuição de dados e, consequentemente, quantas fraudes podem estar relacionadas ao material comercializado. O desbloqueio dos bens apreendidos dependerá do andamento processual e das condenações que venham a ser proferidas pela Justiça.

Principais pontos:

• Operação policial em seis estados desarticulou rede de tráfico de dados pessoais que faturou pelo menos sete milhões de reais entre 2021 e 2026

• Quadrilha obtinha informações através de vazamentos e invasões de sistemas de governo, conselhos profissionais e empresas de telecomunicações, revendendo em plataforma online

• Treze integrantes foram investigados, cada um com funções específicas incluindo programadores, hackers, gestores financeiros e operadores de lavagem de dinheiro

• Justiça autorizou bloqueio de aproximadamente sete milhões em bens apreendidos, com penas que podem ultrapassar trinta e seis anos de prisão

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Veja — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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