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Memória e resistência: Diocese de Santa Cruz do Sul prepara 26º Encontro de Sementes Crioulas

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Memória e resistência: Diocese de Santa Cruz do Sul prepara 26º Encontro de Sementes Crioulas

Em um território onde guardar uma semente também significa preservar memória, autonomia e modos de vida, a Diocese de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, realiza, na quarta-feira (19), o 26º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas. Promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o encontro acontece na Paróquia Santos Mártires das Missões, em Linha Santa Cruz, e tem como tema “Sementes crioulas, Agroecologia e Agricultura Familiar Camponesa no Cuidado com a Mãe Terra”, acompanhado do lema “Das mãos das mulheres brota a vida!”.

A atividade faz parte de uma caminhada iniciada em 2001, quando a CPT da Diocese decidiu transformar em encontro anual uma experiência que já vinha sendo construída nos seminários regionais de agroecologia realizados no ano anterior. Desde então, agricultores e agricultoras de diferentes municípios da região se reúnem para trocar sementes, compartilhar experiências, discutir os desafios do campo e fortalecer a agroecologia como alternativa de produção e de vida.

Ao longo de 26 edições, o encontro passou por diferentes municípios do Vale do Rio Pardo e de outras regiões. A edição de 2026 retorna à Paróquia Santos Mártires das Missões, em Linha Santa Cruz, onde também ocorreu a 14ª edição, em 2014.

A escolha do tema deste ano coloca em evidência o papel histórico das mulheres na agricultura familiar camponesa. De acordo com a última edição da publicação “Pé na Terra”, da CPT, são elas que, ao longo de gerações, selecionam, guardam, multiplicam e compartilham sementes, além de preservar conhecimentos associados ao cultivo, à alimentação, às plantas medicinais e ao cuidado com a terra.

A publicação destaca ainda que as chamadas Guardiãs de Sementes preservam não apenas variedades agrícolas, mas também conhecimentos, sabores, memórias, relações comunitárias e formas de vida ligadas ao território.

Para a CPT, falar de agroecologia também significa enfrentar as desigualdades que atravessam a vida das mulheres do campo. Segundo a entidade, não é possível falar em agroecologia enquanto permanecem relações marcadas pelo machismo e pela violência contra as mulheres. O cuidado com as sementes, com o ambiente e com a produção de alimentos está associado também à construção de relações mais saudáveis e à defesa da vida.

A preservação das sementes crioulas é apresentada como uma forma de resistência à crescente dependência dos agricultores em relação aos chamados pacotes tecnológicos da agricultura convencional. Com a chamada Revolução Verde, sementes comerciais, fertilizantes, máquinas e venenos passaram a ocupar espaço crescente nas propriedades, contribuindo para a perda de autonomia de parte das famílias agricultoras.

Em Linha Santa Cruz, agricultores e agricultoras ainda mantêm variedades de milho crioulo, feijão, abóboras, morangas, melancias e melões, entre outras culturas. O plantio e a guarda das sementes de uma safra para outra mantêm vivo um sistema de produção baseado na diversidade e na autonomia. A troca de sementes, por sua vez, recupera uma prática histórica das comunidades camponesas.

É nesse sentido que o encontro ultrapassa a ideia de uma simples feira ou troca de variedades.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.

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