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Ameaçada de morte, Carol Dartora propõe punição à misoginia digital

Congresso em Foco ·
Ameaçada de morte, Carol Dartora propõe punição à misoginia digital

Ameaças de morte e estupro, promessas de invasão do gabinete e mensagens dizendo que seu corpo seria incendiado passaram a fazer parte da vida política de Carol Dartora (PT-PR) antes mesmo de seu primeiro mandato como deputada federal. Segundo ela, os ataques provocaram crises de ansiedade e pânico e chegaram a fazê-la ter medo de sair de casa. "Sou uma das parlamentares mais ameaçadas do Brasil", afirmou Dartora em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco .

A experiência levou a deputada a apresentar propostas para endurecer a legislação contra a misoginia nas redes. O projeto de lei 1.145/2026 , de sua autoria, cria regras para prevenir e punir violência de gênero no ambiente digital, incluindo ataques coordenados, perseguição, desinformação e redes de assédio.

O texto prevê penas de um a oito anos de prisão, mecanismos de denúncia e remoção de conteúdo, responsabilização civil das plataformas em caso de omissão e proteção às vítimas. A proposta está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), sob relatoria da deputada Lídice da Mata (PSB-BA).

Segundo Dartora, as ameaças chegavam por redes sociais, e-mail e telefonemas ao gabinete e se intensificaram durante debates sobre a política de cotas. "Ameaça de morte, de estupro, de botar fogo no meu corpo, de invadir o meu gabinete. Eram ameaças diretas à minha atuação parlamentar", relatou.

A deputada diz que dois autores das ameaças chegaram a ser presos e que um deles integrava um grupo neonazista. "Me atingiu profundamente mesmo na minha saúde mental. Eu tive muitas questões com crise de ansiedade, passei a ter pânico", contou. "As ameaças são uma tortura psicológica. Eu digo que sofri tortura racial mesmo", afirmou.

Dartora afirma que mulheres negras com exposição política estão especialmente sujeitas a esse tipo de violência e cita Benedita da Silva (PT-RJ), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Erika Hilton (Psol-SP). "Quando a gente soma gênero e raça, isso fica piorado."

Para a deputada, é preciso diferenciar manifestação de opinião de conteúdos que estimulam ódio ou violência. "Existe uma diferença muito grande entre liberdade de expressão e discurso de ódio", afirmou.

Ela cita grupos identificados com o universo "red pill" entre os exemplos de comunidades que, segundo ela, difundem misoginia nas redes e ajudam a criar um ambiente de hostilidade contra mulheres. "O feminicídio é a ponta da violência. Antes disso, a gente vê grupos de homens que se denominam red pills, por exemplo, propagando discurso de ódio especificamente ao gênero", afirmou.

Dartora também responsabiliza as plataformas digitais pela circulação e amplificação desses conteúdos. "A coisa mais bizarra também [é que] as plataformas lucram com esse tipo de discurso, porque quando esses discursos são compartilhados, recompartilhados, a plataforma está lucrando", afirmou.

Questionada sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia, foi incisiva: "Eu acho que as big techs estão se fazendo de sonsas".

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em congressoemfoco.uol.com.br — o conteúdo pertence a Congresso em Foco.

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