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A economia do medo (por Gaudêncio Torquato)

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A economia do medo (por Gaudêncio Torquato)

O medo é uma das emoções mais antigas da humanidade.

Foi ele que ensinou nossos ancestrais a fugir dos predadores, buscar abrigo e proteger a família.

Como mecanismo de defesa, preserva a vida.

O problema começa quando deixa de ser reação a um perigo concreto e passa a ser produzido, ampliado e administrado por governos, empresas, grupos políticos e plataformas digitais.

Nesse momento, o medo transforma-se em mercadoria, instrumento de poder e fonte de lucro.

Surge aquilo que podemos chamar de economia do medo.

Essa economia movimenta-se por meio de uma engrenagem simples: primeiro identifica uma ameaça; depois aumenta sua percepção; por fim, oferece proteção, segurança ou salvação.

Quanto maior o sentimento de vulnerabilidade, maior a disposição das pessoas para comprar produtos, aceitar controles e apoiar líderes que prometem restaurar a ordem.

Não se vende apenas uma mercadoria.

Vende-se a sensação de que, sem ela, estaremos expostos ao perigo.

O fenômeno aparece em inúmeros setores.

A insegurança urbana alimenta a procura por condomínios fechados, carros blindados, câmeras, alarmes, cercas elétricas, seguros e vigilância privada.

O medo da doença estimula a aquisição de medicamentos, exames e tratamentos nem sempre necessários.

O receio de envelhecer sustenta uma poderosa indústria de cosméticos, cirurgias e fórmulas de rejuvenescimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.

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