Campanha promete no varejo e deixa o futuro do Brasil fora do debate
Uma eleição presidencial deveria responder a uma pergunta que anda perdendo espaço entre promessas, ataques e vídeos de poucos segundos: que país os candidatos pretendem construir? Não apenas o que vão oferecer no primeiro mês de governo, mas quais mudanças vão sustentar o desenvolvimento brasileiro nos próximos dez ou vinte anos.
Quando a disputa se concentra no varejo das ofertas, o eleitor recebe uma lista de vantagens, mas dificilmente consegue enxergar o projeto que as sustenta.
Promete-se aliviar o bolso sem explicar como aumentar a produtividade.
Anuncia-se emprego sem discutir a infraestrutura necessária para atrair empresas.
Fala-se em crescimento sem esclarecer de onde virá a energia, por onde passará a produção e como serão protegidos os recursos naturais.
Benefícios sociais, salários e impostos têm importância concreta na vida das famílias.
Precisam estar no debate.
Mas uma campanha que se limita a essas questões deixa sem resposta justamente os problemas que ajudam a determinar o preço dos alimentos, a qualidade do emprego e a capacidade do Estado de financiar serviços públicos.
A infraestrutura de transportes é um desses assuntos.
Uma estrada deteriorada não representa apenas desconforto para quem dirige.
Significa risco de acidentes, viagens mais demoradas, desperdício de combustível e aumento do custo de transportar mercadorias.
Essa conta percorre a cadeia econômica e chega ao consumidor.
Os candidatos precisam dizer quais corredores rodoviários consideram prioritários, como pretendem financiar sua recuperação e quais critérios usarão para decidir entre investimento público e concessões.
Também precisam explicar como cobrar qualidade das concessionárias e assegurar que o pedágio corresponda ao serviço entregue.
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