De Luís 14 ao TikTok: por que 'farmamos aura' há séculos
Na linguagem das redes sociais, ter 'aura' significa possuir um tipo de magnetismo difícil de explicar Getty Images via BBC Algumas expressões parecem destinadas a desaparecer rapidamente.
"Cultivar aura" é uma forte candidata: nasceu na internet, soa um pouco absurda fora de contexto e provavelmente será substituída por outra antes mesmo que os adultos a compreendam.
Mas, justamente por isso, merece atenção: por trás dessa fórmula efêmera reside uma obsessão social muito mais antiga que o TikTok. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ter "aura", na linguagem das redes sociais, significa possuir um tipo de magnetismo difícil de explicar.
Presença, confiança, estilo, mistério — essa capacidade de ser interessante sem parecer muito empenhado em alcançar tal objetivo.
Agora no g1 🔎 Cultivar aura consiste em fazer coisas que aumentam esse capital invisível.
Resolver uma situação constrangedora sem hesitar rende pontos; tropeçar quando todos estão olhando ou se esforçar demais para parecer descolado pode levar a uma verdadeira falência simbólica.
O Dicionário Cambridge já inclui "cultivar aura" como a prática de agir de forma a projetar uma personalidade atraente ou interessante.
A internet até inventou um sistema de contabilidade imaginário: "+1.000 pontos de aura", "-5.000", "aura infinita".
A piada funciona porque todos nós entendemos perfeitamente o que está sendo julgado.
A palavra é nova; o comportamento, nem tanto. 'Farmar aura': o que significa uma das principais gírias da geração alfa e qual sua origem Durante séculos, usamos palavras diferentes — honra, graça, elegância, distinção, carisma, estilo, capital simbólico — para nomear diferentes formas da mesma obsessão: projetar algo que os outros reconheçam como especial.
O TikTok simplesmente atualizou o vocabulário.
Antes do algoritmo, havia Versalles Luís 14 'farmava aura' em escala estatal Getty Images via BBC Se o TikTok existisse no século 17, Luís 14 provavelmente teria entendido muito bem sua lógica.
Em Versalhes, levantar-se, vestir-se ou comer podiam se tornar cerimônias meticulosamente regulamentadas.
A proximidade com o monarca era um privilégio, e participar de certos momentos de sua rotina comunicava posição social.
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