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Economia

Compras internacionais disparam desde fim da 'taxa das blusinhas', diz Abit

Por Redação 5News · · com informações de UOL Economia
Compras internacionais disparam desde fim da 'taxa das blusinhas', diz Abit

Fim da "Taxa das Blusinhas" Dispara Compras Internacionais e Preocupa Indústria Têxtil Nacional

A eliminação do imposto sobre pequenas importações provocou um crescimento expressivo no número de encomendas recebidas do exterior por consumidores brasileiros. Os dados revelam uma transformação significativa no comportamento de compra, com aumentos que chegam a ultrapassar 70% em comparação com períodos anteriores. O fenômeno coloca em evidência o debate sobre a competitividade da indústria doméstica frente aos produtos estrangeiros, especialmente aqueles originários da Ásia, que chegam através de plataformas eletrônicas populares.

A medida que zerou a tributação sobre compras internacionais de até 50 dólares foi implementada em maio deste ano, após aprovação do Congresso Nacional através de uma medida provisória. A conversão em lei ocorreu em setembro, consolidando a mudança regulatória. O antigo imposto de importação cobrava uma alíquota de 20% sobre esse tipo de transação, representando um custo adicional que desestimulava esse tipo de compra.

Os Números do Crescimento

O volume de pequenas remessas internacionais experimentou uma expansão notável após a eliminação da tributação. Nos primeiros quatro meses de 2026, a média mensal girou em torno de 15,4 milhões de encomendas. Com a retirada do imposto em maio, esse número ascendeu para 20 milhões de unidades. O crescimento se acelerou ainda mais no mês seguinte, quando atingiu 28 milhões de encomendas. Posteriormente, houve uma estabilização acima de 26 milhões mensais em julho e agosto.

Quando observados os valores monetários das transações, a mudança parece ainda mais drástica. O total de compras internacionais, medido em dólares, passou de uma média de 308 milhões entre janeiro e abril para 520 milhões durante os quatro meses subsequentes. Essa evolução corresponde a um aumento de mais de 68% no volume de recursos transferidos para o exterior em forma de compras internacionais.

As informações utilizadas provêm do programa Remessa Conforme, uma iniciativa criada para reduzir a sonegação fiscal associada a operações de importação por pessoas físicas. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil, entidade que representa os interesses do setor de vestuário no país.

Ao comparar período equivalente do ano anterior, os números apontam para um crescimento ainda mais acentuado. Em agosto deste ano, foram registradas 26,5 milhões de remessas internacionais declaradas, volume que representa um aumento de 74% em relação às 15,2 milhões de declarações do mesmo mês em 2025. Em termos de valores em dólares, houve um salto de 294 milhões para 526 milhões, representando uma elevação de 79% em um ano.

Impacto na Indústria Doméstica

As plataformas de comércio eletrônico chinesas, como Shopee, AliExpress e Shein, tornaram-se especialmente competitivas no mercado brasileiro desde que a tributação foi eliminada. O setor têxtil nacional relata que enfrenta pressões intensificadas não apenas pelas compras diretas de consumidores no exterior, mas também pelas importações convencionais que continuam chegando ao país.

Os indicadores econômicos demonstram os efeitos dessa concorrência. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam quedas significativas na produção nacional: a produção têxtil retrocedeu 6,8% em julho quando comparada ao mesmo período do ano anterior, enquanto o setor de confecções registrou uma redução de 8,2%.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil enfatiza que esse crescimento das importações, combinado com a retração do mercado interno, tem gerado como consequência a redução na produção nacional, eliminação de postos de trabalho e adiamento ou revisão de investimentos que eram planejados pelo setor.

Contexto: A Questão da Tributação e Competitividade

A chamada "taxa das blusinhas" era uma nomenclatura informal dada ao imposto de importação sobre pequenas encomendas. O termo surgiu porque esse tipo de compra internacional, originária de plataformas de comércio eletrônico, frequentemente incluía roupas e acessórios de baixo custo. A tributação de 20% sobre compras de até 50 dólares funcionava como uma barreira para esse tipo de transação, tornando-a menos atrativa financeiramente para o consumidor brasileiro.

A discussão sobre manter ou eliminar essa tributação envolve questões complexas de política comercial e protecionismo. Os defensores da eliminação argumentavam que o imposto encarecia desnecessariamente produtos para o consumidor final e que contribuía para burocracia administrativa. Já os representantes da indústria nacional apontam que a medida criou uma assimetria problemática nas condições de competição.

De acordo com a posição defendida pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil, produtos nacionais e importados não competem em igualdade de condições. Os produtos estrangeiros que chegam como pequenas remessas não estão submetidos aos mesmos controles e normas que regem a produção nacional. A legislação trabalhista brasileira, assim como regulamentações ambientais, sanitárias e de segurança, não se aplicam à mesma forma a esses produtos importados.

Essa disparidade na aplicação de regras cria o que especialistas chamam de assimetria tributária e regulatória. Os importadores nacionais, ao trazerem produtos em grande volume, precisam cumprir uma série de exigências. Um produtor têxtil brasileiro também enfrenta custos adicionais relacionados a conformidade regulatória. Um consumidor importando diretamente do exterior para uso pessoal não enfrenta as mesmas exigências.

A indústria aponta ainda que em importantes economias mundiais há um movimento contrário. Países desenvolvidos e em desenvolvimento estão reforçando a fiscalização das plataformas internacionais e implementando medidas para proteger suas respectivas bases produtivas diante dos grandes excedentes de produção global, particularmente originários da Ásia.

Desafios para o Setor Produtivo

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil ressalta que o ambiente regulatório criado desestimula a produção doméstica. Quando importar fica mais atrativo financeiramente do que produzir localmente, há consequências em cascata para toda a economia. Investimentos que seriam destinados à expansão ou modernização de fábricas são postergados ou cancelados.

A capacidade de geração de empregos é afetada. Empresas que enfrentam queda em suas vendas não expandem seus quadros e, em alguns casos, reduzem o número de funcionários. A arrecadação de impostos também se reduz, tanto porque há menor volume de produção quanto porque o dinheiro que seria gasto com produtos nacionais agora flui para economias estrangeiras.

O Que Acompanhar

A associação de industriais tem utilizado esses números para defender uma reformulação das políticas de importação e tributação. Um possível desdobramento seria a reintrodução de alguma forma de tributação sobre pequenas remessas, ou a implementação de controles mais rigorosos sobre esses produtos. Outra possibilidade envolve adoção de medidas que criem igualdade de condições entre produtos importados e nacionais, como a aplicação das mesmas normas de segurança e sustentabilidade.

Também será importante observar se o governo federal implementará políticas de proteção à indústria doméstica, seguindo o exemplo de outras nações. Questões relacionadas à arrecadação fiscal e ao combate à sonegação podem levar a novas regulamentações sobre compras internacionais. A tendência das importações convencionais também será relevante para entender se o fenômeno se limita às pequenas remessas ou se afeta de forma mais ampla toda a estrutura de importações brasileira.

Principais pontos:

• O volume de encomendas internacionais cresceu 82% em um mês após a eliminação do imposto de 20% sobre compras de até 50 dólares, saltando de 15,4 milhões para 28 milhões de unidades.

• O valor total dessas transações aumentou 68% no mesmo período, passando de 308 milhões para 520 milhões de dólares mensais.

• A indústria têxtil nacional relata quedas de 6,8% na produção e 8,2% na confecção, atribuindo a queda principalmente à concorrência desequilibrada com importados.

• A Associação Brasileira da Indústria Têxtil reclama da assimetria tributária e regulatória, argumentando que produtos importados não enfrentam as mesmas exigências trabalhistas, ambientais e de segurança dos produtos nacionais.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de UOL Economia — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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