Após derrota, Ceni chama Daronco de 'caseiraço' e discute com jornalista
Após derrota, Ceni chama Daronco de 'caseiraço' e discute com jornalista
Após o resultado adverso contra o Athletico neste domingo, no estádio da capital paranaense, o treinador Rogério Ceni não conteve a frustração e apontou o responsável pela cobrança que poderia ter mudado o rumo da partida. Na avaliação do comandante do Bahia, o árbitro Anderson Daronco cometeu uma falha grave ao permitir que o pênalti fosse cobrado com um adversário irregularmente posicionado. O técnico utilizou expressões diretas para descrever seu julgamento sobre a atuação do juiz, classificando-o como "caseiraço" — gíria do futebol que denota tendência clara de favorecer o time da casa.
A reclamação sobre a cobrança irregular
O lance em questão ocorreu nos momentos finais do confronto pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Everaldo, jogador do time baiano, teve a oportunidade de diminuir a desvantagem ao receber a penalidade máxima. No entanto, sua cobrança foi defendida pelo goleiro Mycael. O que motivou a ira de Ceni foi o que aconteceu durante a execução do chute.
Um atleta do Athletico posicionou-se inadequadamente durante a execução do penalti, invadindo a área de forma antirregulamentar. De acordo com as normas internacionais de futebol, jogadores de ambas as equipes devem manter-se fora da área até que a bola seja tocada pelo cobrador. O jogador atleticano violou essa regra crucial, com seu corpo completamente projetado além da linha que delimita a zona de penalidade.
Ceni argumentou que, conforme o regulamento estabelecido pela FIFA, Daronco deveria ter anulado a cobrança e permitido que Everaldo tentasse novamente. Em vez disso, o árbitro deu continuidade ao jogo, validando um lance que, segundo a perspectiva do técnico baiano, deveria ter sido refeito. O desconforto de Ceni não residia apenas na avaliação incorreta, mas na aparente falta de disposição do juiz para corrigir o erro no momento oportuno.
Críticas severas ao árbitro
O treinador do Bahia fez críticas diretas à conduta de Anderson Daronco, um dos principais árbitros do futebol brasileiro. Chamou o juiz de forma coloquial e contundente, enfatizando que o profissional demonstra tendências favoráveis quando apita partidas com mandante bem definido. Conforme Ceni, era praticamente previsível que o time detentor da vantagem do campo saísse vitorioso quando Daronco está sob o comando da partida.
Além disso, o técnico questionou a coragem do juiz para tomar uma decisão que contrariasse o que havia inicialmente sinalizado. Ceni sugeriu que Daronco não tinha disposição sequer para marcar a infração no primeiro momento, de forma que anular a cobrança já realizada seria um passo ainda maior, exigindo mais determinação que o árbitro aparentemente não possuía naquele contexto específico. A crítica reflete uma frustração comum entre técnicos quando acreditam que decisões arbitrais prejudicaram suas equipes em momentos decisivos.
O confronto com a imprensa
Após essas críticas, um jornalista formulou uma pergunta sobre a execução de Everaldo no pênalti. A questão irritou Ceni, que utilizou a ocasião para apontar uma possível incoerência no trabalho do veículo de comunicação em questão. O técnico relembrou a cobertura feita após outro jogo desfavorável ao Bahia, quando o time foi derrotado de forma mais elástica.
Na ocasião anterior, em março daquele ano, o Bahia havia sofrido uma goleada do Remo no norte do país. Naquela circunstância, um jogador baiano também havia perdido uma penalidade. O repórter ou seu veículo de comunicação havia formulado questionamentos sobre essa cobrança falhada. Agora, diante de uma situação similar mas invertida em certos aspectos, Ceni perguntou retoricamente se o mesmo questionamento seria feito em sentido contrário, insinuando falta de consistência editorial na abordagem das matérias sobre a equipe baiana.
O treinador caracterizou a atitude do jornalista como oportunista, sugerindo que a cobertura variava conforme a conveniência narrativa ou a simpatia pela instituição em questão. Essa reação de Ceni exemplifica a tensão recorrente entre técnicos e imprensa no futebol brasileiro, onde interpretações sobre cobertura seletiva frequentemente emergem após resultados negativos. Após essa troca, Ceni pediu para que outro profissional da imprensa formulasse a próxima pergunta, indicando seu descontentamento com aquele jornalista específico.
Contexto do momento do Bahia
O Bahia chegava a essa partida em uma situação esportiva que merecia destaque positivo. A equipe vinha de uma sequência invicta que se estendia por onze confrontos consecutivos, uma marca respeitável que demonstrava consistência e solidez defensiva. Esse desempenho havia mantido o time competitivo na tabela de classificação, lutando pelas posições de elite do Brasileirão e mantendo-se entre as equipes mais candidatas aos prêmios finais da competição.
A última derrota anterior havia ocorrido quatro meses antes, em 25 de maio, quando o Coritiba conseguiu vitória sobre o time baiano. Desde então, o Bahia acumulava partidas sem sofrer reveses, alternando entre vitórias e empates que consolidavam sua posição entre os favoritos da temporada. Essa trajetória representava o trabalho de consolidação realizado por Rogério Ceni à frente do elenco, construindo uma equipe mais equilibrada e resiliente.
Na tabela de classificação geral do Campeonato Brasileiro, a quinta posição ocupada pelo Bahia era significativa. Essa colocação mantinha o time na briga pelas vagas diretas à Copa Libertadores, objetivo máximo de qualquer equipe no futebol brasileiro. Com 46 pontos conquistados até a 28ª rodada, o Bahia ainda tinha margem razoável para oscilações, mas a derrota representava um passo atrás no acúmulo de pontos necessários para garantir essas posições privilegiadas.
O que acompanhar
Os próximos passos do Bahia serão fundamentais para determinar se a equipe conseguirá se recuperar dessa queda e manter a consistência que havia demonstrado. A forma como o time reagir nas próximas partidas evidenciará se essa derrota funcionará como um baque passageiro ou como o início de um declínio no desempenho. A reta final do campeonato é historicamente propensa a oscilações, especialmente quando sequências invictas são interrompidas, pois podem afetar a confiança dos jogadores.
Além disso, será interessante monitorar se Rogério Ceni manterá o discurso crítico à arbitragem ou se buscará focar exclusivamente no desempenho técnico e tático de sua equipe. Historicamente, Ceni é conhecido por ser expressivo em suas colocações pós-jogo, mas equilibra isso com dedicação à melhoria do trabalho dentro de campo. A sequência de reações do técnico nas próximas rodadas pode indicar seu estado emocional e seu foco estratégico.
A sequência de onze jogos sem derrota que foi interrompida também deixa em aberto a questão sobre a consistência real e o nível técnico da equipe. Se o Bahia conseguir retomar uma invencibilidade ou algo próximo disso nas rodadas seguintes, a derrota contra o Athletico poderá ser analisada como um episódio isolado em um arco maior de desempenho positivo. Caso contrário, pode marcar o início de um período mais complicado na reta final da temporada regular, comprometendo as ambições de disputar as principais competições sul-americanas.
Principais pontos:
• Ceni criticou Anderson Daronco por não anular o pênalti perdido por Everaldo, afirmando que um jogador do Athletico invadiu a área durante a cobrança.
• O técnico do Bahia questionou a coragem do árbitro para tomar decisões contrárias à equipe mandante, sugerindo tendências favoráveis ao Athletico.
• Ceni confrontou um jornalista sobre consistência na cobertura, apontando incoerência ao questionar cobranças de pênalti de forma seletiva.
• O Bahia encerrou sequência de onze jogos invictos e permaneceu com 46 pontos na quinta posição do Brasileirão após a 28ª rodada.
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