Brasil vira “novo mercado central” da chinesa Alibaba na corrida global por IA
A chegada da chinesa Alibaba Cloud ao Brasil, com a inauguração de dois data centers e um portfólio que inclui computação em nuvem, segurança, bancos de dados e soluções de inteligência artificial (IA), representa mais do que a entrada de um novo competidor em um mercado já disputado por gigantes como AWS, Microsoft e Google Cloud.
O movimento coloca o Brasil no mapa de uma disputa que está se tornando cada vez mais estratégica: a corrida global pela infraestrutura capaz de sustentar a próxima geração da inteligência artificial.
No anúncio da operação brasileira, a própria Alibaba classificou o país como um “novo mercado central” para sua expansão na América Latina.
A afirmação ajuda a dimensionar a importância atribuída ao Brasil pela companhia chinesa, que até então tinha presença na região concentrada no México e agora avança pela América do Sul.
O movimento também precisa ser observado dentro de uma estratégia global.
Recentemente, a companhia anunciou uma nova captação de aproximadamente US$ 10,2 bilhões, com os recursos destinados à expansão de suas capacidades de IA, incluindo infraestrutura global de computação e data centers voltados à inteligência artificial.
Ou seja, não estamos falando apenas da expansão de uma operação comercial.
Estamos diante de uma disputa por infraestrutura, capacidade computacional e espaço em mercados considerados estratégicos para a próxima fase da economia digital.
Por que o Brasil interessa? O interesse chinês pelo Brasil não acontece por acaso.
O país combina escala de mercado, uma economia digital relevante, demanda crescente por serviços de nuvem e um mercado de data centers que vem recebendo investimentos expressivos.
Segundo o levantamento “Data Center Brasil 2026”, da JLL, o Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 706 MW de capacidade instalada em data centers , o equivalente a cerca de metade de toda a capacidade instalada da América Latina.
O país recebeu 106 MW de nova capacidade nos primeiros seis meses do ano e deve receber outros 134 MW até dezembro, em um movimento que envolve aproximadamente US$ 8 bilhões em investimentos.
A JLL projeta ainda que o mercado brasileiro dobre de tamanho até 2030, com 660 MW em construção e cerca de US$ 17,4 bilhões em investimentos.
Para empresas globais de tecnologia, estar presente nesse mercado significa estar próximo de uma demanda que tende a crescer justamente no momento em que a inteligência artificial aumenta de forma acelerada a necessidade de processamento e armazenamento de dados.
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