Governo suspende queimadas por 15 dias após aumento de 248% nos focos de calor
O Governo de Roraima suspendeu temporariamente, por 15 dias, o calendário de autorizações para o uso do fogo controlado e prescrito no Estado.
A medida foi anunciada nesta quinta-feira (15), diante do agravamento da estiagem e do aumento dos focos de calor, que já somam 2.149 ocorrências em 2026.
A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê Estadual de Queimadas, durante reunião na quarta-feira (14).
O grupo poderá reavaliar a medida após dez dias, conforme a evolução das condições climáticas e dos indicadores de risco.
O anúncio ocorreu no quartel do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), em Boa Vista, durante coletiva de imprensa sobre as ações da Operação El Niño 2026-2027.
Segundo o presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), Wagner Severo, durante os 15 dias de suspensão, o governo vai reavaliar os dados, replanejar as ações e intensificar os esforços para reduzir os impactos da estiagem.
“Todos os focos de calor que forem detectados serão considerados ilegais”, afirmou.
Segundo ele, as ocorrências poderão resultar em responsabilização nas esferas administrativa, civil e penal.
Seca grave atinge Roraima e rio Branco se aproxima da mínima histórica O meteorologista da Femarh, Ramón Alves, alertou que Roraima enfrenta uma seca grave, intensificada pela baixa precipitação e pelo fenômeno El Niño.
Segundo ele, dados do Monitor de Secas indicavam, até agosto, a classificação de seca grave em grande parte do Estado.
Já a plataforma de alerta de secas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontava, em outubro, nível máximo de alerta em praticamente todo o território roraimense.
“Essa seca grave e intensa diminui as chuvas e, consequentemente, o nível dos rios baixa”, explicou o meteorologista.
Na estação de monitoramento da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer), o rio Branco registrava 55 centímetros na manhã desta quinta-feira (15), conforme os dados apresentados por Alves.
A média histórica para outubro é de aproximadamente dois metros, e o nível atual se aproxima da mínima histórica para o mês.
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