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O acessório e o principal no caso Master

Folha de S.Paulo ·
O acessório e o principal no caso Master

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Professor do Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e editor da revista Insight Inteligência

O escândalo do Banco Master chegou ao Supremo Tribunal Federal. Seu controlador, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , foi preso em novembro de 2025 ao tentar fugir do país, acusado de comandar uma fraude que deixou um rombo estimado em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.

Na última terça-feira (15), o plenário do STF começou a discutir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes com base em relatório da Polícia Federal sobre suas mensagens com Vorcaro — ao mesmo tempo em que Flávio Dino pedia a apuração das ligações do ex-relator do caso, André Mendonça , com o banqueiro. A sessão terminou em bate-boca e pedido de vista por parte de Dino, sem uma decisão.

A barulheira em torno da apuração, ou não, desses malfeitos está ocultando a verdadeira questão, que é o destino de todas essas investigações depois das eleições de outubro. Os bolsonaristas exploram as suspeitas contra Moraes para confirmar a tese de que o tribunal que condenou Jair Bolsonaro seria parcial e corrompido, ao passo que os defensores do ministro enxergam na conduta de Mendonça o uso político-eleitoral da investigação, de modo que cada lado só discute os ministros do outro.

Ocorre que Flávio Bolsonaro , candidato do PL à Presidência, aparece empatado tecnicamente com Lula nas simulações de segundo turno . Se ele for eleito, Moraes provavelmente será limado por impeachment num Senado renovado em dois terços pela mesma eleição, e o restante da sujeira voltará para debaixo do tapete.

A razão é que Flávio é o principal político envolvido no escândalo. Em maio, o site Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios em que o senador negociava com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões para financiar " Dark Horse ", filme sobre a vida de seu pai, e documentos do Coaf obtidos pela revista Piauí indicam que ao menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente pagos.

Flávio, que meses antes negara conhecer o banqueiro, admitiu o pedido e refuta qualquer irregularidade. Em março, já se sabia que o cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel , doara R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. O deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do filme, é alvo de outra investigação da Polícia Federal, que apura o possível desvio de emendas parlamentares para a produção.

Pretexto não faltaria a quem já qualificou de "grande farsa" o julgamento que condenou o pai por tentativa de golpe de Estado, aliás travestido justamente de declaração de estado de defesa. Com um apaniguado nomeado para dirigir a Polícia Federal, Flávio blindará o sistema político e judicial inteiro. E tudo acabará em pizza.

A pizza interessa a muita gente, a começar pelo próprio Flávio, que é de longe o mais encalacrado.

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