Brasil corre para ampliar medicina de desastres e fazer frente às mudanças climáticas e ao El Niño
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Na iminência de um El Niño que deve causar eventos climáticos extremos , o Brasil corre para aumentar sua estrutura da chamada medicina de desastres, setor responsável por planejar e atuar na resposta a catástrofes, como as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024.
O país prepara investimento bilionário com plano para expandir hospitais de campanha e equipes nos grandes centros urbanos, segundo Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde . Na mesma linha, instituições privadas se mobilizam na capacitação de grupos com habilidades específicas para atuar em situações de desastres.
A discussão ganha força na saúde diante de duas possibilidades: tragédias ambientais, decorrentes de chuvas e secas , por exemplo, e o surgimento de novas epidemias, como ocorre atualmente com o surto de ebola na República Democrática do Congo .
A medicina de desastres é uma subespecialidade da emergência, voltada à atuação em ambientes geralmente desestruturados e com a demanda muito além do que o sistema local de saúde pode absorver. Guerras, acidentes aéreos e crises migratórias configuram algumas dessas situações.
Segundo Massuda, o país começou a se estruturar em 2011, com a criação da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) em razão dos deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro .
"Naquela época, aproximavam-se a Copa e as Olimpíadas [no Brasil] e viu-se a necessidade de implementar uma equipe para atuar em tragédias. Temíamos, por exemplo, a possibilidade de um atentado", conta.
À Folha , Massuda afirma que a Força Nacional do SUS ganhou novas unidades nos estados neste ano, em Salvador , Porto Alegre e também no Rio de Janeiro. Outras cinco bases devem iniciar a operação em 2027: uma na região Nordeste, outra no Centro-Oeste e duas no Norte.
"O plano para aumentar a resiliência do sistema de saúde prevê aplicação de R$ 9,8 bilhões até 2035", afirma.
As bases contam com infraestrutura e insumos para a montagem rápida de hospitais de campanha . Esse é um dos principais pilares para responder a tragédias, sobretudo porque regiões atingidas por catástrofes podem perder parte de estruturas como hospitais e unidades de atenção primária .
No Rio Grande do Sul, segundo a pasta, foram instalados quatro hospitais de campanha com capacidade para atender 200 mil pessoas por um período de três meses.
Até 2022, a estrutura funcionava por demanda, isto é, não tinha uma operação própria. Atualmente, conta com 82 profissionais na gestão, atrelada ao Ministério da Saúde, e 70 mil profissionais voluntários, distribuídos em todas as unidades da federação —3.500 deles foram capacitados para atuação em tragédia. A equipe tem ainda 70 profissionais com qualificação aeromédica.
Segundo a pasta, com isso a ideia é montar um hospital em qualquer lugar do país em até 12 horas após uma tragédia.
A medicina de desastres ganhou força a partir dos anos 1980.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Equilíbrio e Saúde.