Balanço do BRB só sai após empréstimo para salvar banco, diz governadora
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), declarou ontem, em sabatina para a TV Globo, que o balanço financeiro do Banco de Brasília (BRB) será divulgado apenas quando o empréstimo de R$ 6 bilhões para o banco estiver fechado. "Não posso publicar um balanço virado que daria uma liquidação do banco", disse.
"Estamos falando de mercado financeiro. O balanço do BRB não pode estar atrelado ao calendário eleitoral. O balanço financeiro está atrelado ao empréstimo, e queremos publicar junto com o empréstimo, porque isso dá ao banco uma condição de recuperação muito maior", declarou a candidata à reeleição.
Sem conseguir aprovar um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 6,6 bilhões por falta de garantias da União, o BRB busca dinheiro com "fundos árabes", segundo informou a colunista do UOL, Mariana Barbosa neste mês .
O BRB não informou quando seria a viagem ou maiores detalhes sobre os fundos. O banco brasiliense busca uma capitalização de R$ 8,8 bilhões para cobrir parte do rombo provocado pelas transações com o Banco Master. O banco transferiu mais de R$ 16 bilhões para o Master comprando carteiras fraudulentas ou que haviam sido cedidas para outras instituições. O presidente do BRB na época dessas operações, Paulo Henrique Costa, está preso.
Quando o Banco Central não autorizou a operação de compra do Banco Master pelo BRB, o Master tentou convencer a autoridade monetária de que salvaria o banco com um aporte bilionário de fundos árabes. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro de 2025 tentando embarcar para Dubai — um movimento que a Polícia Federal interpretou como tentativa de fuga. No dia seguinte, o banco seria liquidado.
Uma das bandeiras da campanha da governadora é a crítica ao governo Lula por não permitir que a Caixa ou o Banco do Brasil ofereçam garantias para um empréstimo junto ao FGC. O empréstimo negociado com o FGC previa que um sindicato formado pelos grandes bancos — Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, XP e BTG — atuaria como fiador. Mas se o BRB não honrasse os pagamentos, o GDF daria, como contra-garantia, o recurso dos fundos de participação de Estados (FPE) e de Município (FPM).
O único recurso que o BRB conseguiu levantar até o momento foi R$ 1 bilhão em uma operação de securitização da dívida ativa do GDF, estruturada em conjunto com o BTG. Nesse tipo de operação, o GDF antecipa com investidores o valor que tem a receber de impostos, com um desconto. Havia uma expectativa de levantar mais R$ 1,5 bilhão com essa operação, mas essa segunda etapa ainda não foi concluída. O banco também tem obtido liquidez com depósitos judiciais e do próprio GDF.
O BRB não divulga balanço desde o segundo trimestre de 2025, infringindo regras do Banco Central e da CVM. A falta de divulgação do balanço deixa no limbo alguns investimentos que possuem cláusulas de default (calote) no caso do índice da Basileia (que mede o risco de uma instituição financeira) ficar abaixo de 4,5. Acredita-se que ele hoje esteja a zero.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.