Corinthians: polarização e ato pró-Augusto motivaram cláusula antipolítica
A cláusula que restringe manifestações políticas de jogadores do Corinthians existe há alguns anos, mas foi incorporada de vez à rotina do alvinegro na atual gestão, presidida por Osmar Stabile. O item prevê desconto de até 20% do salário em situações desse tipo.
Não há clareza, porém, se a regra abrange apenas questões relacionadas à política do clube ou se também se estende a manifestações sobre política nacional.
O UOL apurou, porém, que a cláusula passou a constar nos contratos dos profissionais corintianos em meio ao cenário de polarização política iniciado em 2018.
A decisão esteve relacionada a dois fatores: a interferência política no clube durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo e as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo contra o Corinthians. A medida ganhou força desde o início da atual administração.
Durante a gestão de Augusto Melo, jogadores do elenco se posicionaram favoravelmente à permanência do então presidente no cargo. As manifestações ocorreram em meio ao processo político que futuramente resultou no imprachment do dirigente.
O segundo fator considerado pela atual gestão foram as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo contra o Corinthians. De acordo com apuração do UOL , a avaliação interna é de que, embora o MP-SP seja uma instituição isenta, as questões que levaram às investigações tiveram motivações políticas.
A visão nos bastidores é que esse cenário prejudica o Corinthians na captação de recursos e na busca por investidores no mercado. Por isso, o clube entende que manifestações de profissionais que tenham impacto na política interna podem contribuir para uma situação considerada prejudicial à instituição.
É nesse contexto que o Corinthians avalia punir Memphis Depay pelo clipe em que faz críticas à gestão política do clube . O vídeo inclui, entre outras imagens, a do Parque São Jorge em chamas.
O UOL apurou que a diretoria chegou a avaliar a possibilidade de aplicar a punição por meio de um abatimento na dívida que o Corinthians possui com Memphis. O clube, porém, não encontrou mecanismos jurídicos para viabilizar a medida.
Agora, o Corinthians discute a aplicação da "cláusula antipolítica". A diretoria busca se resguardar juridicamente antes de tomar uma decisão sobre uma eventual punição ao atacante.
O presidente Osmar Stabile também foi cobrado pela classe política do clube para que as providências previstas em contrato sejam tomadas. Entre os que fizeram a cobrança está o vice-presidente Armando Mendonça.
A cláusula prevê desconto de até 20% do salário em casos de manifestações políticas. Ainda não está definido se o dispositivo será aplicado a Memphis pelo conteúdo do clipe.
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