Ações de IA tombam US$ 1 tri na semana; hora de comprar ou de fugir?
A venda de ações ligadas à inteligência artificial (IA) se espalha pelo mundo nesta quinta-feira (15).
Depois do pior pregão de Wall Street desde julho, a bolsa da Coreia do Sul despenca 7,6% e chega a ter os negócios interrompidos.
Com isso, as 20 maiores empresas de IA e semicondutores do mundo já perderam mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta semana.
Do ponto de vista do investidor, o tombo abre uma oportunidade de compra ou marca o início de um período mais prolongado de perdas no setor? Segundo boa parte dos analistas, ainda não há sinais de que a demanda por IA esteja sumindo, mas ainda paira dúvida sobre o custo alto da conta da expansão.
Leia também Rali dos Treasuries ganha força com correção em ações de tecnologia Títulos americanos lideram alta global da renda fixa à medida que investidores deixam ativos de risco e aumentam a procura por proteção O que provoca a queda? O gatilho é a inflação americana acima do esperado , divulgada na quarta-feira, que reforça as apostas em novas altas de juros nos Estados Unidos.
Juros mais altos encarecem o dinheiro que as empresas tomam emprestado para construir data centers e comprar chips.
O alvo mais visível é a CoreWeave, uma das chamadas neoclouds , empresas que alugam capacidade de computação para IA e financiam boa parte da expansão com dívida.
A ação caiu 15% na quarta, e seus títulos chegaram a níveis que costumam indicar dificuldade financeira.
No mesmo dia, a consultoria Gartner previu que mais de 80% dessas empresas deixarão de operar de forma independente até 2030.
Na terça, o Fundo Monetário Internacional já havia alertado que uma correção no setor de IA pode ter consequências globais.
Nesta semana, a Anthropic também informou a potenciais investidores receita de US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre, número robusto, mas que sugere crescimento mais lento.
Com a fuga das ações, os investidores correm para os títulos do Tesouro americano , e o rendimento do papel de 10 anos cai para 5,08%, o menor nível em três semanas.
Para Rich Privorotsky, da mesa de ações e renda fixa do Goldman Sachs, a disputa por crédito aparece primeiro onde era mais previsível, no tomador mais frágil.
Uma cesta de neoclouds acompanhada pelo banco caiu 20% em cinco sessões, movimento raro em uma década.
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