Indígena de recente contato desaparece após soltura de presídio em Manaus, a 1.200 km de casa
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Um indígena de recente contato que estava preso preventivamente em uma delegacia em Envira (AM), na região do médio rio Juruá , foi transferido para um presídio em Manaus, a 1.200 km de distância em linha reta, e desapareceu após ser solto, o que já dura três meses.
Familiares nas aldeias, organizações indígenas , Justiça, Ministério Público e Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) não têm notícia sobre o paradeiro do indígena.
O alvará de soltura de Nube Oma Kulina, de 24 anos, tem a data de 28 de maio, o carimbo do CDPM II (Centro de Detenção Provisória de Manaus), o carimbo de "liberado" e a assinatura de Nube em letra de forma.
Como não há notícia sobre onde Nube pode estar, a Defensoria Pública do Amazonas pediu explicações ao governo do estado.
A soltura teria se dado sem aviso do sistema penitenciário estadual a defensores, familiares e Funai. Um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento foi registrado numa delegacia em Manaus, a partir das iniciativas da Defensoria e da Funai sobre o episódio.
Em casos como esses, tanto a Funai como os familiares precisam ser comunicados sobre a soltura, uma vez que os indígenas não falam português, não estabelecem boas relações com uma cidade do tamanho de Manaus –a maior capital do Amazonas, com 2 milhões de moradores– e não têm parentes ou redes de apoio na região.
A reportagem também tentou contato com as duas unidades prisionais em Manaus relacionadas ao caso, o CDPM II e a unidade de Puraquequara, mas os telefones não atendem.
Os madihas kulinas, etnia de Nube, são indígenas considerados como de recente contato, classificação usada pela Funai . Os madihas não dominam a língua portuguesa, preservam um sistema cultural próprio nas aldeias e têm dificuldade em lidar com a vida urbana, o que inclui as cidades mais próximas, como Envira e Eirunepé (AM).
O desaparecimento se assemelha ao caso de Tadeo Kulina , da mesma etnia e da mesma região de Nube Kulina.
Em fevereiro de 2024, Tadeo desapareceu de uma maternidade pública em Manaus, onde a mulher dele, Ccorima Kulina, havia dado à luz a quarta filha do casal. Os dois foram levados de Envira à capital em razão dos riscos de saúde à Ccorima na fase final da gestação.
O corpo de Tadeo foi encontrado no IML (Instituto Médico Legal) mais de uma semana depois, com marcas de agressões na cabeça, no tórax, no abdome e nos membros. A Polícia Civil do Amazonas, que antes tratava o caso como homicídio, arquivou o inquérito e apontou morte acidental, em razão de uma suposta queda num lava-jato próximo à maternidade.
O podcast "Dois Mundos" , produzido pela Folha e veiculado em maio e junho de 2025, apontou novos elementos e provas sobre a morte e uma série de falhas na investigação policial. O caso foi reaberto por determinação do MP do Amazonas, e novas diligências da polícia estão em curso.
Nube foi preso preventivamente em razão de uma tentativa de feminicídio, em julho do ano passado. Ficou detido em uma delegacia em Envira, a cidade mais próxima das aldeias dos madihas kulinas da região.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.