Caçadores da Sibéria abrem temporada de caça aos ursos após ataques fatais
Um drone paira sobre um urso-pardo que atravessa a taiga siberiana, pouco antes de dois caçadores se aproximarem.
Três disparos ecoam, e o urso cai morto na vegetação alta.
Apoiando seu rifle enquanto pousa a mão sobre a pelagem do animal abatido, Mikhail Kondakov conta que ele e outros caçadores decidiram agir por conta própria, atendendo a pedidos dos moradores do povoado vizinho de Podtesovo, após um ataque fatal de urso contra mulheres da região.
“A situação com os ursos no povoado está muito difícil no momento; e não apenas no povoado, mas em todo o distrito de Yeniseisky e, na verdade, em toda a região de Krasnoyarsk, a situação é muito grave”, disse Kondakov à Reuters.
Leia Mais Ataque de drones ucranianos na Rússia deixa sete mortos, dizem autoridades Ataques russos deixam seis mortos em diferentes regiões da Ucrânia Ataque de drones da Ucrânia atinge fábrica de químicos na Rússia “Os ursos têm entrado cada vez mais, diretamente, no povoado.
Este ano, vivemos uma tragédia: duas mulheres que haviam saído para colher cogumelos foram mortas por um urso que passou a atacar humanos.
Decidimos começar a caçar ursos porque há muitos deles, tanto dentro do povoado quanto nos arredores”, justificou.
O problema é de abrangência nacional.
Este ano, pelo menos 26 pessoas morreram em ataques de ursos desde a primavera na Rússia, período em que os animais, famintos, despertam da hibernação, informou a agência de notícias RIA Novosti na segunda-feira (12).
Em resposta aos ataques, o governo anunciou, no mês passado, que está elaborando medidas urgentes para controlar a população de ursos-pardos .
A quantidade desses animais mais do que dobrou nas últimas três décadas, chegando a 308 mil — um aumento atribuído, em parte, a invernos mais curtos e amenos.
Desde o início do ano, mais de 3.440 ursos foram abatidos por serem considerados uma ameaça aos seres humanos, segundo um levantamento da agência estatal de notícias Tass, publicado em 10 de outubro.
Especialistas ouvidos pela mídia russa explicam que, este ano, os ursos foram forçados a buscar alimento em áreas mais distantes, já que uma primavera precoce e seca resultou na escassez de frutas silvestres, das quais eles costumam se alimentar.
A população também tem sido criticada por deixar resíduos de alimentos ao relento — o que atrai os ursos — e por ignorar normas de segurança.
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