Paraguai desafia China ao manter elo com Taiwan e paga preço tecnológico
Jornalista, mestre em Estudos da China pela Academia Yenching (Universidade de Pequim) e em Assuntos Globais pela Universidade Tsinghua
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Um dia antes de ser alvo de sanções da China , o ministro paraguaio de Tecnologias da Informação e Comunicação, Gustavo Villate, publicou no X uma saudação pelo feriado nacional ao "Governo da República da China ( Taiwan )", nome oficial da ilha que Pequim reivindica como sua.
Na segunda-feira (12), ele entrou numa lista que a Lei Antissanções Estrangeiras de 2021 vinha reservando a políticos ocidentais e fabricantes de armas. Com a sanção, ele teve seus hipotéticos bens na China bloqueados, não poderá fazer negócios com chineses nem visitar o país, Macau ou Hong Kong.
Na quinta-feira (15), num texto longuíssimo, Villate apresentou sua própria teoria para a decisão chinesa. Segundo o ministro, a raiz está no leilão de 5G do ano passado, em que o regulador nacional exigiu de cada concorrente um relatório da missão diplomática paraguaia no país de fabricação do equipamento.
Sem embaixada em Pequim, a regra tirou Huawei e ZTE do jogo sem citá-las, além das duas maiores operadoras do país (Tigo e Personal) que trabalham com equipamento chinês. As licenças ficaram com a Claro, do mexicano Carlos Slim, e a Nubicom.
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Washington passou anos pedindo à América Latina que limitasse os negócios com a Huawei, sem muito sucesso. O Paraguai conseguiu tal proeza valendo-se de uma decisão de 1957, quando o ditador Alfredo Stroessner transformou anticomunismo em política de Estado para reconhecer Taipé e cortou laços diplomáticos com a China.
Villate quer estender o critério à inteligência artificial e a um data center financiado pelo BID. Há ainda, segundo ele, um sistema de informação de saúde feito com Taiwan que já funciona em mil unidades públicas, dado que quase não circula fora de Assunção e que colocaria a segurança nacional em risco.
Isso muda a natureza da disputa porque por décadas a aposta chinesa foi convencer o agronegócio de que trocar de lado valia o acesso a um mercado gigante de soja e carne. A pressão até teve seu efeito político (um projeto da oposição pela aproximação com Pequim chegou ao Senado em 2020, mas caiu por 25 votos a 16), mas em 2023 Efraín Alegre, defensor da troca, perdeu feio as eleições para Santiago Peña.
Enquanto a questão era comercial, o bolso dos pecuaristas podia um dia decidi-la. Ao amarrar Taiwan à segurança das redes, o governo Peña converteu a aliança em política de tecnologia .
O arranjo tem custos que Assunção prefere não discutir, a começar por um 5G sem as duas maiores operadoras num mercado pequeno onde menos concorrência costuma significar serviço mais caro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mundo.