Do território ao mercado, marca tem produção de 6 aldeias Kadiwéu
Vasos, pratos, travessas, tecidos e camisetas carregam desenhos que, por trás de cada traço está o conhecimento das mulheres Kadiwéu, passado entre gerações e transformado em fonte de renda.
Neste fim de semana, parte desse trabalho chegou ao Festival de Inverno de Bonito com o lançamento da marca Godidiko.
A marca reúne produtos feitos por mulheres das seis aldeias Kadiwéu de Mato Grosso do Sul.
Há cerâmicas, objetos de decoração, peças pintadas, tecidos e camisetas, todos ligados aos grafismos e aos conhecimentos tradicionais do povo.
A ideia é fazer com que o público saiba quem está por trás delas.
“A gente quer que as pessoas reconheçam não apenas o produto pronto, mas também quem o produziu, como produziu e de onde vem essa sabedoria ancestral”, afirma Luciana Azambuja, superintendente de Economia Criativa da SETESC e coordenadora do espaço de Bioeconomia da secretaria.
O lançamento é resultado de um trabalho que começou em 2015, quando as organizações Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas e Wetlands International Brasil passaram a atuar no território a convite das lideranças Kadiwéu.
Ao longo dos anos, as artesãs participaram de um processo de qualificação voltado à valorização da cultura, ao trabalho das mulheres e à geração de renda.
A Godidiko surgiu desse caminho e foi validada para representar as seis aldeias Kadiwéu do Estado.
Lilian Ribeiro Pereira, coordenadora do componente Modo de Vida da Wetlands International Brasil e da Mupan, explica que o trabalho das organizações é ajudar a aproximar as artesãs de ferramentas que possam facilitar a comercialização.
“Hoje é o lançamento da marca Godidiko, uma marca que representa as aldeias, a cultura, a arte, os desenhos e a forma de viver do povo Kadiwéu”, afirma.
A produção, porém, segue o ritmo do território e não o de uma fábrica.
A quantidade de peças disponíveis depende, por exemplo, da matéria-prima encontrada pelas artesãs.
Para fazer a cerâmica, é preciso coletar argila.
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