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A estrutura de madeira construída há milhares de anos que revela como povos antigos atravessavam áreas alagadas

O Antagonista ·
A estrutura de madeira construída há milhares de anos que revela como povos antigos atravessavam áreas alagadas

Tábuas, suportes e milhares de estacas formavam uma passarela neolítica capaz de atravessar quase dois quilômetros de pântano

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Nos pântanos de Somerset, no sudoeste da Inglaterra, arqueólogos encontraram restos de uma passarela construída no Neolítico e preservada sob turfa encharcada por quase seis milênios. A Sweet Track atravessava cerca de dois quilômetros de terreno pantanoso , mostrando que comunidades agrícolas pré-históricas dominavam técnicas avançadas de carpintaria e conseguiam criar rotas estáveis sobre ambientes onde caminhar diretamente seria difícil.

A passarela ligava uma área elevada próxima a Shapwick a uma antiga ilha em Westhay, atravessando extensos juncais e terrenos encharcados dos Somerset Levels. Análises dos anéis das árvores determinaram que as madeiras foram cortadas no inverno de 3807 para 3806 a.C., permitindo uma datação extraordinariamente precisa para uma estrutura neolítica.

Ela não era uma ponte alta sobre águas profundas, mas uma passarela elevada sobre o pântano. Sua construção facilitava a circulação entre áreas secas separadas por zonas alagadas e provavelmente também permitia acessar recursos das áreas úmidas, que forneciam plantas, animais e outros materiais importantes às comunidades locais.

O sistema utilizava longas peças de madeira colocadas longitudinalmente como suporte. Estacas afiadas eram cravadas obliquamente no terreno dos dois lados dessas peças, formando uma estrutura capaz de manter o caminho estável. Sobre ela, tábuas eram posicionadas no sentido da passagem e presas entre as extremidades das estacas.

Carvalho, freixo e tília foram utilizados nas pranchas, enquanto aveleira e amieiro aparecem principalmente nas estacas e suportes. As peças eram preparadas em solo seco e depois levadas ao pântano, revelando planejamento prévio e conhecimento detalhado das propriedades de diferentes tipos de madeira.

Este vídeo do South West Heritage Trust recria digitalmente a passarela e a paisagem dos Somerset Levels durante o Neolítico.

A quantidade de madeira trabalhada mostra que seus construtores possuíam ferramentas, organização e experiência consideráveis. A Historic England estima que o projeto empregou aproximadamente 2.000 metros de suportes longitudinais, 6.000 estacas e 4.000 metros de tábuas, materiais que precisaram ser selecionados, cortados e transportados.

A estrutura também oferece pistas sobre manejo da paisagem. Estudos de pólen, plantas, besouros, madeira e anéis de crescimento indicam que áreas próximas eram cultivadas e que as florestas locais já sofriam manejo humano. Assim, a passarela fazia parte de uma paisagem transformada por algumas das primeiras comunidades agrícolas da região.

A principal explicação está no ambiente encharcado. Depois de abandonada, a madeira ficou coberta por turfa saturada de água, onde a disponibilidade de oxigênio é muito pequena. Sem oxigênio suficiente, muitos microrganismos responsáveis pela decomposição da madeira trabalham de forma muito mais lenta.

Essa preservação depende de o material permanecer úmido.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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