Código Florestal: implementação pode criar 3,1 mi de empregos
A implementação do Código Florestal superou a barreira do cumprimento legal e passa a ser considerada um ativo estratégico para a inserção do Brasil nos mercados globais e na agenda do clima internacional.
É o que mostra o estudo “Cadeias Produtivas, Indústria e a Implementação do Código Florestal: Subsídios Estratégicos para Apoiar a Conformidade Ambiental e Competitividade Brasileira” , desenvolvido pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia .
Eis a íntegra (PDF – 3 MB).
A publicação identifica que o país acumula aproximadamente 20 milhões de hectares de passivos ambientais de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente que necessitam de regularização conforme estabelecido pelo Código Florestal.
Segundo as estimativas, a restauração de 20% a 50% dos passivos ambientais indica um potencial de criação de 0,7 a 1,9 milhão de empregos na Amazônia e de 0,5 a 1,2 milhão no Cerrado, totalizando em 3,1 milhão de empregos e ajudando o Brasil a atingir suas metas climáticas globais e planos nacionais de restauração.
Do lado dos ativos, o estudo mostra que o Brasil possui um estoque de 70 milhões de hectares de vegetação nativa excedente, ou seja, área verde além do exigido por lei.
Em termos absolutos, o Cerrado concentra cerca de 25 milhões de hectares excedente desse ativo enquanto a Amazônia abriga aproximadamente 6,2 milhões de hectares.
A operacionalização do mercado de Cotas de Reserva Ambiental, anunciada em outubro de 2025 pelo Serviço Florestal Brasileiro, surge como o mecanismo para remunerar essa conservação.
Considerando o valor referencial de R$ 500 por hectare ao ano, esse mercado tem potencial para movimentar cerca de R$ 20,6 bilhões anuais nos 2 biomas estudados, sendo R$ 17,3 milhões ao ano no Cerrado, com destaque para os potenciais econômicos de Mato Grosso (R$ 2,8 bilhões/ano), Minas Gerais (R$ 2,7 bilhões/ano) e Piauí (R$ 2,6 bilhões/ano); e R$ 3,3 bilhões ao ano na Amazônia, onde os maiores volumes concentram-se no Pará (R$ 1,19 bilhão/ano) e em Mato Grosso (R$ 832 milhões/ano).
“Para a indústria, trata-se de uma oportunidade concreta para reduzir custos de compliance, atrair investimentos ESG e monetizar a conservação” , disse o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.
Insegurança jurídica O estudo mostra que o processo de validação do Cadastro Ambiental Rural das propriedades é lento e marcado por disparidades regionais.
Na fronteira da região de expansão agrícola MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), os níveis de análise são inferiores a 1%, indicando gargalos relevantes na implementação do Código Florestal e análise do CAR.
No Cerrado, apenas os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul superam os 60% de cadastros analisados.
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