Dependência de soldados norte-coreanos revela crise no recrutamento militar na Rússia
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou no domingo (9) que até 50 mil soldados norte-coreanos teriam sido mobilizados para lutar ao lado da Rússia, aliada histórica de Pyongyang. Para uma especialista ouvida pela RFI , o recrutamento maciço de combatentes estrangeiros revela a dificuldade de Moscou em contar com seus próprios efetivos na Ucrânia.
Zelensky não explicou como obteve esse número, muito superior à estimativa de 30 mil feita em julho. No entanto, a revelação expõe os entraves que impedem o avanço do Exército russo na linha de frente , avalia Marie Mendras, professora de Relações Internacionais na universidade Sciences Po de Paris.
"As necessidades são crescentes, caso o Kremlin queira manter a guerra no terreno – ou seja, lançar novas ofensivas. O Exército russo não consegue mobilizar as centenas de milhares de homens de que precisaria para retomar uma ofensiva na Ucrânia", avalia.
O presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, assinaram um tratado de parceria estratégica em junho de 2024. O pacto prevê uma cláusula de assistência mútua em caso de agressão externa contra um ou outro dos dois países. No mesmo ano, Pyongyang enviou cerca de 14 mil soldados para a região russa de Kursk, ajudando Moscou a repelir uma importante incursão das forças ucranianas na área.
Dois anos depois, a situação é diferente para a Rússia, avalia Mendras, com cerca de 1,5 milhão de soldados russos mortos, feridos ou impossibilitados de continuar combatendo. "No leste e no sudeste da Ucrânia o exército da Rússia não avança há vários meses e é até obrigado a recuar em alguns pontos. Assim, a prioridade das forças russas parece ser manter as posições para evitar recuos maiores em território ucraniano", avalia.
A professora da Sciences Po também destaca as dificuldades da Rússia para recrutar soldados . Oficialmente, uma mobilização lançada em setembro de 2022 permite a Moscou manter uma convocação permanente. No entanto, os métodos do governo russo são controversos.
"O que eles fazem é lançar ‘operações especiais’ – como gostam de chamar – para recrutar homens, muitas vezes à força ou ameaçando suas famílias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.