Dólar fecha a R$ 5,02; petróleo ameniza queda do Ibovespa
O dólar fechou esta quarta-feira (14) em alta de 0,17%, a R$ 5,028, enquanto o Ibovespa recuou 0,18%, aos 206.505,98 pontos, após a inflação dos Estados Unidos superar as expectativas e aumentar as apostas em novas altas dos juros americanos. A queda da Bolsa brasileira, porém, foi limitada pela valorização das petroleiras, beneficiadas pelo avanço do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.
O movimento também refletiu uma realização de lucros após a forte valorização das ações brasileiras nas últimas semanas, impulsionada pelo resultado do primeiro turno das eleições. Empresas mais sensíveis aos juros, como varejistas e construtoras, estiveram entre as maiores quedas do dia.
Inflação americana veio acima do esperado. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) subiu 0,6% em setembro e acumulou alta de 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% projetados pelo mercado. Segundo Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a gasolina respondeu por mais da metade da alta mensal. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também surpreendeu, com avanço de 0,3%, ante expectativa de 0,2%.
Resultado aumentou as apostas em juros mais altos. Para Girardi, os números reforçam a preocupação do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, com a persistência da inflação. Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, explica que juros maiores nos Estados Unidos tornam os investimentos americanos mais atraentes e tendem a pressionar moedas e bolsas de países emergentes, como o Brasil.
Petróleo ajudou a limitar as perdas da Bolsa. As tensões no Estreito de Ormuz, após ataques a embarcações, impulsionaram os preços da commodity e favoreceram as petroleiras. PRIO (PRIO3) subiu 2,29%, enquanto as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) avançaram 1,94% e as preferenciais (PETR4), 2,22%. Segundo Gass, a estatal também foi beneficiada pelas perspectivas de produção após o recorde registrado no campo de Búzios.
Copasa e Axia também se destacaram entre as altas. As ações da Copasa (CSMG3) avançaram 1,97%, enquanto Axia Energia (AXIA3) ganhou 1,80%. Gass avalia que o desempenho da elétrica refletiu a busca dos investidores por empresas consideradas mais defensivas, ou seja, menos vulneráveis às oscilações da economia.
Varejistas e construtoras sofreram com os juros. Magazine Luiza (MGLU3) recuou 4,49%, Tenda (TEND3) caiu 5,46% e Cyrela (CYRE3) perdeu 4,31%. Segundo Gass, empresas mais dependentes de crédito devolveram parte dos ganhos recentes diante da piora nas expectativas para os juros. Azzas 2154 (AZZA3) também caiu 3,91%.
Resultados operacionais acrescentaram pressão às construtoras. Em relatórios divulgados nesta quarta-feira, a XP destacou vendas mais fracas da Tenda e redução nos lançamentos e nas vendas da Cyrela. Os dados se somaram ao ambiente desfavorável para empresas do setor, embora não seja possível atribuir as quedas das ações exclusivamente a essas avaliações.
Siderúrgicas acompanharam a queda do minério de ferro. Usiminas (USIM5) perdeu 4,76%, enquanto CSN (CSNA3) recuou 3,72%. Gass associa o desempenho à desvalorização da matéria-prima no exterior.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.