Arrecadação de imposto corporativo cai nos EUA após incentivos fiscais de Trump
Washington | The New York Times A arrecadação com imposto corporativo despencou sob o governo do presidente Donald Trump , mesmo com os lucros das empresas atingindo níveis recordes. A queda começou depois que os republicanos aprovaram benefícios fiscais que permitem às companhias deduzir mais rapidamente o custo de seus investimentos.
A arrecadação do imposto sobre os lucros das maiores empresas dos Estados Unidos caiu cerca de 15%, para US$ 381 bilhões, no ano fiscal encerrado em 1º de outubro, segundo dados divulgados na sexta-feira (16) pelo Departamento do Tesouro. A queda, de aproximadamente US$ 70 bilhões, veio após um recuo semelhante no ano anterior. Em relação a 2024, último ano fiscal completo do governo Biden, a receita diminuiu mais de 25%.
Por trás da redução estão os cortes de impostos aprovados pelos republicanos e sancionados por Trump no ano passado. A lei permite que as empresas deduzam uma parcela maior dos investimentos no próprio ano em que são realizados. A mudança entrou em vigor quando algumas das maiores companhias de tecnologia do país começavam a destinar centenas de bilhões de dólares a projetos de inteligência artificial , incluindo data centers.
Os cortes reduziram a arrecadação mais acentuadamente do que os analistas previam. Executivos envolvidos em uma corrida para desenvolver modelos de IA mais poderosos afirmam que pretendem continuar ampliando os investimentos, o que pode pressionar a receita tributária nos próximos anos. Os novos aportes também podem impulsionar os lucros das empresas, ampliando a distância entre os ganhos e os impostos recolhidos sobre eles.
"É muito incomum ver uma divergência dessa magnitude, mas não chega a ser surpreendente, porque sabemos o que a está causando", disse Peter Berezin, economista-chefe da BCA Research, empresa de análise de investimentos. "A previsão é que os gastos com IA aumentem nos próximos anos, portanto essas empresas poderão deduzir uma parcela ainda maior de suas despesas. Se elas não tivessem lucros enormes, seria uma coisa. Mas elas têm."
A queda na arrecadação corporativa é apenas parte da deterioração das contas públicas americanas. A diferença entre as despesas e as receitas do governo se aproximou de US$ 2 trilhões no último ano fiscal, com o aumento dos gastos militares e dos juros da dívida federal. A dívida em poder do público, superior a US$ 32 trilhões, agora equivale a quase toda a produção anual da economia, proporção que não era registrada desde os anos posteriores à Segunda Guerra Mundial.
O déficit cresce apesar de a economia permanecer relativamente forte e de o desemprego estar baixo . Os lucros das empresas aumentaram nos últimos anos, levando os índices acionários a níveis recordes —um movimento que, em tese, deveria impulsionar a arrecadação corporativa. Já a receita com o imposto de renda das pessoas físicas cresceu no último ano fiscal.
No pacote de cortes tributários, porém, os republicanos fizeram uma série de mudanças que permitem às empresas reduzir o montante de rendimentos sujeitos à tributação. As alterações modificaram os prazos para deduzir os custos de novos investimentos e as despesas com pesquisa e desenvolvimento.
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