Anfavea amplia atuação política e leva demandas do setor aos presidenciáveis
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A Anfavea (associação das montadoras) mudou sua postura em relação às relações governamentais. No fim de agosto, a entidade distribuiu o documento que chamou de "Uma Agenda para os Presidenciáveis". A divulgação do material ocorreu logo após um encontro com o candidato Ronaldo Caiado (PSD) na sede da associação.
Em meio às notícias sobre as eleições e a crise no STF (Supremo Tribunal Federal), o material teve pouca repercussão, mas mostrou que a associação busca maior visibilidade para seus pleitos. Antes, as conversas em período eleitoral se restringiam aos bastidores de Brasília.
O texto enviado aos presidenciáveis refletiu a insatisfação com as decisões recentes do governo federal, como a renovação das cotas que permitem trazer kits para montagem de veículos eletrificados com isenção do Imposto de Importação.
"Na agenda para o próximo governo constam medidas necessárias para que o país continue produzindo atrelado ao desenvolvimento de tecnologia e engenharia próprias", diz o material divulgado pela Anfavea.
Em seu manifesto, a associação pede a continuidade de uma política industrial consistente após 2028, dando sequência aos avanços do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). A cobrança por regras claras de conteúdo local também está no texto, bem como pedidos para redução dos custos e estímulo às exportações.
A menção ao desenvolvimento de tecnologias próprias remete ao sistema flex . A possibilidade de utilizar o etanol como combustível e combiná-lo à gasolina em qualquer proporção é a maior contribuição da engenharia brasileira ao setor automotivo global.
Em março de 2025, pouco antes de assumir a presidência da Anfavea, Igor Calvet articulou uma carta na qual as montadoras solicitavam medidas para conter o avanço chinês. Era um sinal do que viria em sua gestão.
Na semana passada, a associação das montadoras assinou um manifesto em que representantes de diferentes setores empresariais cobram ações para conter a "crise institucional de extrema gravidade" que envolve o STF. "Não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita", menciona o texto.
Em outros tempos, a Anfavea jamais se envolveria em um assunto como esse. Antes de Calvet assumir a presidência, os mandatários da entidade eram executivos de carreira das montadoras, e havia um rodízio no cargo entre as principais associadas. As empresas, que são multinacionais, sempre evitaram manifestações que extrapolassem temas econômicos.
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