Contratos e conversas com Vorcaro: entenda investigação sobre Moraes e caso Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de documentos da investigação que reúne registros da relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro , dono do Banco Master. O material apresenta mensagens , encontros e negociações envolvendo o banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes , mulher do ministro.
O documento é uma Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A), elaborada pela Polícia Federal (PF) a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante uma operação. O relatório foi encaminhado a Mendonça no último dia 27 e analisa, entre outros pontos, contatos do banqueiro com pessoas ligadas a uma suposta rede de influência .
Segundo a PF, o celular de Vorcaro tinha quatro registros diferentes para o mesmo número de telefone : “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. O número foi compartilhado com Vorcaro por Fábio Faria , ex-ministro das Comunicações, em 26 de dezembro de 2023.
A PF cruzou os horários dos registros e identificou que, em alguns casos, o envio da mensagem ocorria poucos segundos depois da captura de tela. O número associado ao contato foi confirmado a partir dos dados extraídos do aparelho.
O relatório detalha também a negociação de um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes , ligado a Viviane Barci de Moraes.
Em 11 de janeiro de 2024, Viviane enviou a Vorcaro uma minuta de prestação de serviços . A mensagem dizia: “Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise”.
A PF identificou que a última alteração havia sido feita pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” , às 16h30 daquele dia.
Uma nova versão do documento foi posteriormente enviada a Vorcaro. O relatório aponta novamente a presença do usuário “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última modificação.
As tratativas também aparecem em mensagens entre Fábio Faria e Vorcaro. Em 15 de janeiro de 2024, Faria perguntou ao banqueiro: “Respondeu a Vivi”. Vorcaro respondeu perguntando: “fechou 3 anos”. Faria afirmou que havia tratado de quatro anos, mas que “pode fazer 3”.
O contrato foi assinado em 23 de janeiro de 2024 e previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões.
A investigação também encontrou um segundo contrato , datado de 12 de maio de 2025 , entre o escritório Barci de Moraes e a empresa Viking Participações .
Nas tratativas, o advogado de Vorcaro apresentou duas alternativas para a transferência de ativos . A primeira previa a entrega dos bens e a transferência das quotas , com possibilidade de recompra por R$ 1 caso o contrato de honorários não fosse cumprido. A segunda condicionava a transferência das quotas ao cumprimento do contrato .
Vorcaro respondeu: “Opção 1 não é o negócio” e, em seguida, afirmou: “Os ativos são deles… já”.
Entre os ativos estavam cotas relacionadas a um avião Legacy 650 e a um helicóptero EC 155 B1 . Segundo a documentação analisada pela PF, a cota do avião custava US$ 5.512.951,89 , enquanto a do helicóptero tinha valor de US$ 1.335.014,01 .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.