Moraes repete 26 vezes que Mendonça agiu de forma “ilegal” em defesa ao STF
Em documento de 44 páginas, protocolado na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Alexandre de Moraes chamou de “diálogos fantasiosos” e “criminosas mentiras” as supostas trocas de mensagens que teria mantido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Usando 26 vezes a palavra “ilegal” para referir-se à atuação do colega André Mendonça, Moraes valeu-se novamente dos relatórios de inteligência apócrifos da Polícia Federal para sustentar sua defesa, apresentada a menos de 12 horas da sessão do STF que analisará o pedido de abertura de investigação contra ele.
No documento, Moraes acusa Mendonça de “motivação político-eleitoral” e afirma que “está muito clara a tentativa de vingança” dos aliados de quem tentou acabar com a democracia no país.
Moraes nega favorecer Vorcaro e segundo contrato do escritório da mulher Moraes: 8/1 não se encerrou e processo contra mim é "tentativa de golpe" Panelaço pedindo saída de Moraes do STF é registrado em São Paulo “A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi.
Mas assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA”, disse o ministro em sua petição.
Moraes garante nunca ter atuado em nenhum caso envolvendo o Banco Master ou o escritório de sua esposa, Viviane Barci, no âmbito do STF.
“Não há nenhum elemento que indique a prática de qualquer conduta irregular ou qualquer infração penal pelo ministro Alexandre de Moraes”, argumentou.
O magistrado sustenta que a Operação Compliance Zero foi bem-sucedida e Vorcaro foi preso, sem indício de qualquer vazamento.
“Mas nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro […].
MENSAGENS MINHAS que nunca existiram.
DIÁLOGOS FANTASIOSOS.” Moraes alega que a leitura dos metadados, a eventual correlação temporal e a atribuição de suposta autoria das mensagens carecem de perícia e são resultado de “análise subjetiva” a partir de “determinação e direcionamento” de Mendonça.
Segundo ele, o então relator do caso Master “ignorou todas as possibilidades” relacionadas aos achados no celular de Vorcaro: o conteúdo do bloco de notas não ter sido efetivamente enviado a alguém; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado a diversas pessoas em momentos diversos da criação do “screenshot”; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado, porém a mensagem ter sido apagada antes de visualizada; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado, porém a mensagem nunca foi visualizada.
“O analista”, escreveu Moraes referindo-se ao colega do STF, “simplesmente escolhe o que lhe convém”.
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