Proposta de UC para muriquis no Paraná avança, mas é flexibilizada
Após uma década de estudos, os ameaçados muriquis do Paraná podem ganhar área protegida ainda este ano, porém não de proteção integral, como pleiteavam os pesquisadores
Após um processo de uma década, a proposta de unidade de conservação que visa proteger os ameaçados muriquis-do-sul no Paraná está em vias de virar realidade. O que antes seria um Refúgio de Vida Silvestre, porém, foi convertido em Área de Relevante Interesse Ecológico devido a pressão de proprietários e produtores rurais. A mudança representa a flexibilização da proposta, que deixa de ser de proteção integral para a categoria de uso sustentável, mais permissiva aos impactos humanos.
A unidade de conservação (UC) estadual – agora Área de Relevante Interesse Ecológico dos Monos de Castro – abrange a zona rural do município de Castro, com uma extensão de 6.282,52 hectares. De acordo com o Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná, o georreferenciamento da área protegida seria concluído em julho para dar prosseguimento à tramitação interna e, na sequência, o decreto de criação – que “será publicado ainda este ano”, promete em nota a assessoria de comunicação do órgão estadual.
Seja membro e faça parte do maior portal de jornalismo ambiental do país!
Seja membro e faça parte do maior portal de jornalismo ambiental do país!
A proposta da UC é trabalhada desde 2016 dentro do governo estadual, com a formação de grupos de trabalho, levantamentos e estudos. Este ano, o processo chegou na fase das consultas públicas, realizadas em fevereiro e abril, no município vizinho de Campos Largos.
Já na primeira audiência, as manifestações de proprietários e produtores rurais contrários ao Refúgio de Vida Silvestre levaram o IAT a recuar na proteção integral, como detalha o parecer técnico do órgão .
Ainda que um Refúgio possa, por lei, ser compatibilizado com propriedades particulares e atividades de baixo impacto que não comprometam o objetivo de conservação, o documento cita “a resistência e as preocupações com insegurança jurídica e acesso a programas de crédito rural manifestadas por parte dos proprietários e moradores, em decorrência do fato de a categoria de manejo proposta pertencer ao grupo de proteção integral” e a “importância fundamental de se ter o apoio popular para a implementação da unidade de conservação”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.