Entre o belo e o grotesco: Karim Aïnouz estreia filme que desafia o espectador
O cineasta cearense Karim Aïnouz retorna às telas com Rosebush Pruning, uma sátira sombria que transforma uma família milionária em retrato grotesco das relações de poder, da hipocrisia e da violência escondida sob o verniz do privilégio.
Em seu segundo longa-metragem em língua inglesa, o diretor de A Vida Invisível (2019) e Motel Destino (2024) aposta em uma estética extravagante, cores fortes e uma fotografia impressionante para construir uma experiência cinematográfica que provoca, desconcerta e, por vezes, arranca risos incômodos do espectador.Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, Aïnouz falou sobre a vontade de se arriscar artisticamente, a necessidade de romper com a padronização do cinema contemporâneo e a atualidade de uma história concebida durante a pandemia de Covid-19.
O diretor também explicou como buscou equilibrar o humor e a violência, além de revelar o processo de experimentação com o elenco internacional.
Exibido na competição do Festival de Berlim, Rosebush Pruning chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 15 de outubro, com uma provocação que ultrapassa os limites da narrativa.
Em um momento no qual tantas produções parecem recorrer a fórmulas conhecidas, o longa se destaca pela liberdade visual e pela disposição de explorar o grotesco sem abrir mão da humanidade de seus personagens.Karim Aïnouz quer bagunçar o cinema contemporâneoA extravagância visual é um dos aspectos mais marcantes de Rosebush Pruning.
O filme começa com uma tomada genuinamente deslumbrante, composta como uma pintura a óleo: o mar escaldante da Catalunha, na Espanha, desenhado como uma linha reta sob um horizonte ligeiramente mais claro.
A beleza da imagem antecipa a abordagem de Aïnouz, que utiliza a fotografia de Hélène Louvart para construir um universo de cores intensas, enquadramentos cuidadosos e composições que contrastam com a brutalidade da história.O resultado é um filme que arrisca na forma e encontra na beleza visual uma maneira de ampliar o desconforto provocado pelos temas abordados.
A extravagância não funciona apenas como um recurso estético, mas dialoga diretamente com a inquietação artística que moveu o diretor durante a realização do longa.Ao comentar a escolha de seguir por um caminho menos convencional, Aïnouz lembrou que a busca por uma linguagem própria acompanha sua trajetória desde Madame Satã (2002).“Eu faço isso há muito tempo.
Vivi isso em Madame Satã (2002), um filme absolutamente iconoclasta, maluco e proibido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.