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Crescer não será fácil

Folha de S.Paulo ·
Crescer não será fácil

Economista-chefe da MB Associados e pesquisador do IEA-USP (Instituto de Estudos Avançados da USP)

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Jesús Fernández-Villaverde e Patrick Norrick publicaram em agosto um artigo sugestivo chamado "Terra Incognita", no qual, dizem, a humanidade já estaria abaixo da taxa de fertilidade de reposição , algo inédito, não visto nem em guerras nem em pandemias. Mas o artigo aponta algo ainda mais preocupante: essa queda está concentrada nos países de renda média, o Brasil incluído.

Vale, nesse sentido, entender o que foi o crescimento brasileiro nas últimas décadas e o papel da demografia nessa história. O crescimento do PIB pode ser decomposto como a soma dos crescimentos da produtividade e do emprego.

Nessa ótica, e usando o conceito de PIB por idade ativa, a tabela abaixo, dos autores acima, à qual adicionei o Brasil, mostra como a demografia foi importante para alguns países, especialmente os Estados Unidos . Mais ainda, entre os países da lista, o Brasil foi o mais dependente dessa população para alcançar um crescimento médio de 2,31% entre 1991 e 2023.

Os Estados Unidos tiveram uma produtividade praticamente o dobro, com uma população entre 15 e 64 anos, crescendo cerca de metade da do Brasil. O caso curioso é o Japão , com forte queda nessa população e produtividade semelhante à americana ao longo desses anos nessa faixa.

Nossa produtividade foi igual à da Itália no período, mas a Itália teve queda populacional e um crescimento medíocre, já conhecido do país, de apenas 0,73%. Mas a Itália é um país já rico, que enriqueceu antes de entrar em estagnação. Aproveitamos o forte período demográfico de bônus sem aumentar a produtividade, e o resultado foi um crescimento nada exuberante. Não fosse a demografia, teríamos afundado num dos piores crescimentos médios desse conjunto de países.

Como os autores corretamente alertam, não há mecanismo de mercado que faça voltar às antigas taxas de fecundidade ; a questão será redistributiva, ou seja, como alocar a renda dos trabalhadores aos aposentados nos próximos anos. No nosso caso, a velha cantilena de envelhecermos antes de enriquecermos nunca esteve tão evidente. A estimativa da ONU é que, na década de 40, a população em idade ativa no Brasil esteja caindo em torno de 0,67%, o que significa que, se mantivermos a produtividade nesse patamar de 0,87%, nosso crescimento será de apenas 0,2% ao ano.

Países ricos poderão passar pelo que Acemoglu, Autor, Beirne e Scott descrevem, em artigo recente, como um possível benefício da baixa natalidade. Com 70 anos de dados, eles identificaram que onde a natalidade caiu antes, o PIB por adulto em idade ativa cresceu mais, sem queda do PIB total. A mágica se dá pelo efeito da escassez: a falta de jovens impulsiona a adoção de tecnologias que reduzem a mão de obra. Nesses países, surgem mais patentes de automação, maior tecnologia e maior produtividade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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