Deputado bolsonarista que desejou morte de Lula vira réu no STF
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) tornou réu o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por ter desejado a morte do presidente Lula (PT) em uma sessão da Câmara dos Deputados no ano passado.
Denúncia foi aceita por unanimidade pelos ministros da Primeira Turma . Apenas o ministro Cristiano Zanin se declarou impedido. Além de Zanin, o colegiado é composto pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Gilvan da Federal atacou Lula em abril do ano passado, durante sessão da Comissão de Segurança da Câmara. Ele repetiu três vezes que gostaria que o presidente morresse. "Nem o diabo quer o Lula, é por isso que ele está vivendo aí, superou o câncer. Tomara que tenha uma taquicardia porque nem o diabo quer essa desgraça desse presidente que está afundando o Brasil. E eu quero mais é que ele morra mesmo", declarou.
Declaração ocorreu durante sessão que discutia um projeto de lei que propõe desarmar a segurança pessoal do presidente. Gilvan da Federal foi relator do texto na Comissão de Segurança. A proposta foi apresentada pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP).
Na época, o hoje adversário de Lula na eleição presidencial, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), criticou o deputado . "Não é a postura que se espera de um parlamentar que está ali para discutir as coisas sérias do Brasil", disse.
Após a repercussão negativa, o parlamentar disse que "exagerou" e pediu desculpas. "Eu aprendi com o meu pai que um homem deve reconhecer os seus erros", afirmou. "Um cristão não deve desejar a morte de ninguém. Eu não desejo a morte de qualquer pessoa, mas continuo entendendo que Luiz Inácio Lula da Silva deveria estar preso, deveria pagar por tudo que ele fez de mal ao nosso país, mas reconheço que exagerei na minha fala. Peço desculpas."
Em maio do ano passado, Gilvan teve o mandato suspenso por três meses pelo Conselho de Ética . O fato que fez o parlamentar ser suspenso foi chamar a então ministra Gleisi Hoffmann de "prostituta do caramba". A agressão ocorreu durante sessão da Comissão de Segurança, que precisou ser interrompida pela troca de xingamentos entre deputado.
Gilvan é da tropa de choque do chamado bolsonarismo raiz. Ele está em todos em embates com colegas da esquerda e costuma levantar a voz nas sessões.
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