Quem Ama Cuida revela uma Tata Werneck que o público ainda não conhecia
O público conhece a velocidade de Tata Werneck, o improviso, a resposta pronta e a capacidade de transformar uma frase banal em piada. Quem Ama Cuida, no entanto, está revelando um lado diferente da artista. Não porque ela tenha abandonado o humor para provar que consegue fazer drama, mas porque passou a usar esse repertório em outra chave.
Sua personagem, Brigitte, parte justamente daquilo que o telespectador reconhece na intérprete para apresentar recursos menos explorados em seus trabalhos. Ela pode fazer rir, mas não existe para ser engraçada. Perde o bom senso quando suas carências afetivas entram em jogo e, em outras situações, demonstra uma lucidez surpreendente diante das injustiças ao redor.
É nessa dualidade que a novela das nove mostra uma Tata Werneck que o público ainda conhecia pouco. A filha da vilã não é uma sucessora de Valdirene, de Amor à Vida (2013), tampouco uma variação de Lucrécia, de Deus Salve o Rei (2018), ou de Anely, de Terra e Paixão (2023).
Permanecem o ritmo verbal e a habilidade para tornar o absurdo crível, mas o exagero, que antes conduzia principalmente ao riso, agora muitas vezes provoca constrangimento. A graça está na superfície de uma mulher que precisa desesperadamente ser aceita e desejada.
A relação com Pilar (Isabel Teixeira) é o território em que essa transformação fica mais evidente: uma mulher adulta que parece retornar à infância diante da mãe. Aquela figura que tenta ocupar qualquer ambiente pela fala encolhe quando esbarra na rejeição materna.
Tata precisa, então, recorrer a ferramentas diferentes da aceleração que se tornou sua marca. Encontra força nos silêncios, nas mudanças de expressão e no olhar. Quando a energia espalhafatosa desaparece, surge uma vulnerabilidade que não depende das falas para chegar ao público.
A rejeitada também escapa da caricatura da mulher obcecada por atenção masculina. Por mais desregulada que seja sua vida afetiva, demonstra senso de justiça. É uma das poucas pessoas daquele universo a acreditar na inocência de Adriana (Leticia Colin) e não hesita em dizer verdades que outros integrantes da família preferem evitar.
Quem Ama Cuida ainda reservou para a personagem um mistério capaz de aprofundar justamente a questão que mais a atormenta: o pertencimento. Ela terá pela frente o segredo relacionado à própria paternidade.
Para alguém que cresceu sob o peso da rejeição materna, descobrir lacunas também em torno do pai mexerá diretamente com sua identidade. A nova frente dramática reforça a impressão de que a garçonete foi concebida para percorrer uma trajetória muito maior do que sua apresentação inicial sugeriu.
Essa construção ganha ainda mais significado quando observada pelo histórico profissional entre Tata Werneck e Walcyr Carrasco. Foi o autor quem deu a ela sua primeira oportunidade em novelas, em Amor à Vida. Valdirene rapidamente se transformou em um fenômeno popular, e a atriz nunca escondeu a gratidão pela chance que recebeu.
Treze anos depois, os dois se reencontram em outro estágio. Carrasco conhece o tempo de Tata, sua capacidade de improvisação e, principalmente, aquilo que o público espera quando ela entra em cena.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ac24horas.com — o conteúdo pertence a ac24horas.