STJ abre investigação sobre vazamento de minutas a advogado amigo de Flávio
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) abriu uma investigação para apurar o vazamento de minutas de decisões ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Uma investigação da PF (Polícia Federal) aponta que o escritório de Tomaz recebia minutas de decisões do STJ e de pareceres do MPF (Ministério Público Federal) antes da publicação. Um dos interlocutores seria um servidor da área de informática do próprio tribunal.
Procurado a respeito da investigação, o tribunal informou que Luis Felipe Salomão, presidente do STJ, abriu um procedimento interno para apurar o caso na semana passada e exonerou o servidor investigado.
"Como não se trata de concursado, o servidor em cargo de confiança foi exonerado nesta sexta-feira (16)", disse o tribunal.
"As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar."
O servidor exonerado, segundo apurou o UOL , é Humberto Pradera, que ocupava o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ.
Procurado, ele disse que não tem acesso a processos em andamento, que seus acessos são restritos e que não tinha sido informado de sua exoneração.
Outro interlocutor de Tomaz é o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, ligado a Flávio Bolsonaro. Ele é suspeito de vazar informações sigilosas e combinar o conteúdo de pareceres com o advogado.
Soares foi subprocurador —topo da carreira no MPF— e chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral da República em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, devido à proximidade com Flávio e Willer. Ele se aposentou em março deste ano.
O escritório recebia informações antecipadas de qual seria o resultado de julgamentos —favorável ou não— e, com base nisso, mudava sua estratégia, deixando de apresentar determinados recursos, por exemplo, diz a PF.
O UOL não conseguiu contato com Soares —o espaço está aberto a manifestações.
Tomaz "nega categoricamente ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou pareceres sigilosos, assim como ter interferido ou ajustado o conteúdo de manifestações do Ministério Público Federal".
"Sua atuação profissional sempre observou a legislação e as prerrogativas profissionais da advocacia, pelos meios institucionais e processuais legítimos. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da atividade profissional e configuram desinformação", disse, em nota.
Como o UOL revelou, Willer e Flávio Bolsonaro eram beneficiários de uma mesma conta bancária no Santander, segundo a investigação da PF, e o advogado bancou viagens de Flávio na Europa.
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