Comércio e conserto de panelas: mais antiga loja de utilidades de Curitiba celebra 80 anos
Uma resistente testemunha de uma Curitiba de outros tempos está celebrando 80 anos de história em 2026. Trata-se da Kilouça, que já está na terceira geração da família Derviche e foi ainda a primeira loja de utilidades de Curitiba. Hoje com dois estabelecimentos, um localizado no bairro Água Verde, perto da Arena da Baixada, e outro num imóvel histórico no Centro, ao lado da Praça Tiradentes, a empresa foi se transformando ao longo das décadas para sobreviver.
De acordo com Rodrigo Nicotra Derviche, que tem 50 anos de idade e há 38 trabalha na Kilouça, tudo começou com o seu avô, Elias Derviche. Ele veio do Líbano para o Brasil com seus pais e irmãos no final dos anos 1930. E por aqui, ele e o irmão mais velho acabaram criando alguns comércios: duas lojas de tecidos e uma de armarinho.
Uma dessas lojas, que se chamava Metro de Ouro, ficava num prédio onde hoje fica a Praça José Borges de Macedo, ao lado da antiga Cadeia Pública de Curitiba. E foi com ela que Elias acabou ficando quando a sociedade entre os irmãos se desfez, e foi ela que ele resolveu transformar em 1946, fazendo o que era uma loja de tecido de transformar numa loja de utilidade doméstica, a Elias Derviche & Cia Ltda.
“Até 1956, quando a Loja do Pedro abriu, só tinha nós na cidade dedicados para a utilidade doméstica. Só que no começo dos anos 1950 o prédio onde a loja ficava pegou fogo, e aí meu vô refez a Kilouça num prédio novo, que é onde a loja do Centro funciona até hoje”, conta Rodrigo. “Mas ainda era uma loja de varejo. Na Páscoa, tirava toda a parte de utilidade e colocava chocolate. No Dia das Crianças, tirava tudo e colocava brinquedo. E no Natal, misturava tudo”, emenda ainda ele.
Já no começo dos anos 1970, o pai de Rodrigo, Ernani Derviche, acabou assumindo a Kilouça. E foi ele quem deu ao negócio seu nome atual, já nos anos 1980. Um nome que pode parecer curioso para quem visitar a loja atualmente, já que o grande destaque da casa são as panelas, e não as louças. Mas isso tem uma explicação.
“Hoje você olha a loja e fala ‘pô, mas não tem louça aqui, é mais alumínio, ferro, inox… Louça é super reduzido’. Mas naquela época era muita louça, né? Campo Largo tinha as fábricas, mas não tinha as lojas. Então você comprava lá em Campo Largo, em São Bento, e trazia pra cá para vender.
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