Parentes de pescadores desaparecidos no Caribe suspeitam de ataques dos EUA
Famílias de pescadores desaparecidos no Caribe temem que os barcos das vítimas tenham sido atacados pelos Estados Unidos em meio à ofensiva do país contra supostos "narcoterroristas". Reportagem da rede Al Jazeera relata casos em Santa Lúcia e na Colômbia.
O pescador Joseph 'Nathy' William e Ricky Joseph desapareceram em 13 de fevereiro, após saírem para pescar em Santa Lúcia. No mesmo dia, os EUA divulgaram imagens de um ataque contra uma pequena embarcação e disseram ter matado suspeitos de tráfico de drogas.
Rayshawn Charlery, filho de William, diz que o pai não tinha envolvimento com o tráfico. "Tudo o que sei é que meu pai é pescador, saiu para o mar e nunca voltou para casa", afirmou.
A família de Ricky Joseph também tentou contatá-lo, mas não conseguiu falar com ele. Outros pescadores enviaram a Titus Joseph, irmão de Ricky, vídeos de destroços de um barco que circulavam na internet. Titus soube imediatamente de quem era a embarcação. "Eu disse: 'É o meu irmão mais novo que estava comandando o barco'".
Nenhum dos parentes conseguiram obter respostas das autoridades locais ou do governo dos EUA sobre o que aconteceu com os desaparecidos. Eles afirmam ter procurado a polícia para registrar o caso, mas não receberam retorno.
A polícia de Santa Lúcia mantém os dois casos como desaparecimentos e guarda os destroços de uma embarcação. Cameron Tayliam, dono da Zouti Boats, reconheceu o barco pelas cores verde, preta e vermelha.
Desde 2 de setembro de 2025, o governo do presidente Donald Trump realizou dezenas de ataques contra barcos no Caribe e no Pacífico Oriental. A administração afirma ter matado mais de 220 pessoas classificadas como "narcoterroristas", sem divulgar suas identidades.
Em nenhum dos casos houve abertura de processo judicial ou julgamento. Especialistas afirmam que os ataques provavelmente constituem execuções extrajudiciais, prática ilegal segundo o direito internacional.
Trump sustenta que as ações impedem a entrada de drogas nos Estados Unidos. "Cada barco que destruímos salva 25 mil vidas americanas", declarou em outubro, sem apresentar provas.
Familiares de Alejandro Carranza, pescador colombiano desaparecido em setembro de 2025, levaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A denúncia afirma que foram violados os direitos à vida e ao devido processo legal de Carranza.
A Casa Branca diz que os ataques atingem pessoas que classifica como 'narcoterroristas', enquanto o Comando Sul dos EUA não comenta casos individuais. O órgão afirma que as operações seguem autoridade legal, inteligência abrangente e critérios estabelecidos para seleção de alvos.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.