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'Talvez eu divida com Trump': Navi Pillay ironiza após ganhar Nobel da Paz

UOL Notícias ·
'Talvez eu divida com Trump': Navi Pillay ironiza após ganhar Nobel da Paz

A ex-chefe de direitos humanos da ONU Navi Pillay recebeu o Nobel da Paz de 2026 e brincou que poderia dividir o prêmio com Donald Trump.

Pillay fez a brincadeira durante uma conferência jurídica em Nuremberg, na Alemanha. Ela disse que poderia oferecer parte da honraria a Trump se o público aplaudisse alto o bastante.

O Nobel reconhece o trabalho de Pillay na responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Trump afirma que encerrou oito guerras durante sua Presidência e há anos busca receber a premiação.

O presidente do Comitê Nobel, Jorgen Watne Frydnes, afirmou que o prêmio ressalta a importância do direito internacional e do Estado de direito para a paz mundial. A declaração foi feita ao anunciar a escolha de Pillay.

A advogada de 85 anos foi a primeira mulher sul-africana a receber um doutorado em Harvard. Ela estudou na Universidade de Natal, na África do Sul, no início da década de 1960 e fez especialização na universidade americana.

Pillay defendeu ativistas contra o apartheid, incluindo Nelson Mandela. Ela também atuou como juíza em casos de crimes de guerra em Ruanda.

A jurista presidiu uma comissão da ONU que investigou a situação em Gaza. Antes, comandou o escritório de direitos humanos das Nações Unidas.

A carreira de Pillay é marcada por trabalho lifado à proteção de direitos humanos e ao fortalecimento de mecanismos internacionais de Justiça. De acordo com o comitê do Nobel, a contribuição dela para ampliar a ideia de uma ordem jurídica global capaz de sustentar processos e punições para violações extremas foi um dos motivos pelos quais ela foi escolhida.

Ela dedicou a premiação aos sobreviventes de crimes internacionais e exigiu que líderes mundiais respeitem às leis em defesa dos direitos humanos. "Permitam-me dedicar este prêmio a todos os sobreviventes de crimes internacionais, bem como aos profissionais e defensores da justiça, cuja compaixão e coragem continuam a garantir que a impunidade não prevaleça", disse Navi em coletiva de imprensa.

Pillay diz que ataques aos direitos internacionais trazem risco de retorno ao domínio pela força. "Este prêmio reforça minha convicção de que devemos nos unir em defesa do Estado de Direito, de tribunais independentes e de uma ordem jurídica internacional baseada em princípios", afirmou a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

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