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Com novos Macs, Apple quer enfrentar Microsoft e Nvidia

Por Redação 5News · · com informações de UOL Tilt
Com novos Macs, Apple quer enfrentar Microsoft e Nvidia

Apple Reforça Ofensiva em Computação de IA com Novos Macs de Processamento Local

A Maçã está se posicionando para desafiar a hegemonia da Microsoft e da Nvidia no mercado de máquinas corporativas com capacidade de inteligência artificial. Os novos modelos de Mac Mini e Mac Studio, que começam a ser comercializados esta semana, representam uma aposta estratégica em um segmento que até recentemente era dominado pelo Windows e por servidores em nuvem.

Os equipamentos, com valores que podem aproximar-se de vinte mil dólares, trazem uma proposta diferenciada: executar tarefas complexas de inteligência artificial diretamente no dispositivo, eliminando a necessidade de recorrer a servidores remotos e, principalmente, sem a cobrança de tokens - a unidade de faturamento utilizada por empresas como OpenAI e Anthropic para cobrar o acesso a modelos de IA na nuvem.

Para os executivos da empresa sediada em Cupertino, essa é uma vantagem considerável quando apresentada a compradores corporativos. O argumento central é simples: uma máquina adquirida uma única vez oferece melhor custo-benefício do que continuar alugando processamento em data centers. Essa estratégia de IA on-device posiciona os novos Macs em confronto direto com os computadores de mesa que Nvidia e outros fabricantes estão desenvolvendo, produtos que devem estar em destaque durante um evento que a Microsoft pretende realizar no mês seguinte, também em São Francisco.

Capacidade de Processamento Intensivo Incorporada

Os equipamentos atualizados não são máquinas convencionais. Eles foram especificamente desenvolvidos para executar operações de aprendizado de máquina pesadas que, historicamente, exigiam infraestrutura de data center. Atividades como geração de código programação, análise de dados empresariais complexa e outras aplicações intensivas em processamento podem ser executadas localmente nos novos Macs.

A capacidade técnica foi demonstrada no evento de apresentação da Apple realizado ainda em setembro. A empresa reuniu quatro computadores Mac Studio em uma configuração em série para demonstrar o processamento de um modelo de inteligência artificial com um trilhão de parâmetros. A tarefa específica executada foi a localização e correção de um problema de codificação relacionado a gráficos. Operações dessa magnitude normalmente exigem a disponibilidade de centros de dados completos. Contudo, a sequência de máquinas demonstrou conseguir realizar o mesmo feito a partir de uma simples conexão de energia - uma tomada de parede comum.

Esse resultado prático serviu como evidência para sustentar o argumento de valor que a companhia está apresentando ao mercado corporativo. Segundo Johny Srouji, responsável pela divisão de hardware da empresa, a proposta oferecida é fundamentalmente diferente do modelo baseado em assinatura de serviços em nuvem. Quando um profissional possui a máquina sobre sua mesa de trabalho, o investimento já foi realizado, e a utilização subsequente não gera custos adicionais relacionados à computação de IA.

A Fundação Técnica: Apple Silicon e Arquitetura Unificada

Para compreender a estratégia atual é necessário recuar alguns anos. Quando a Apple introduziu seus primeiros processadores desenvolvidos internamente, denominados Apple Silicon, em 2020, a empresa realizou uma mudança arquitetural significativa. Anteriormente, os computadores pessoais tradicionais utilizavam chips distintos - um para processamento central e outro para gerenciar memória. A Apple unificou essas duas funções em uma única estrutura integrada.

Essa integração trouxe vantagens imediatas, particularmente em relação à duração da bateria dos equipamentos. Uma arquitetura unificada reduz a quantidade de dados que precisa transitar entre componentes separados, diminuindo assim o consumo energético geral. Contudo, ao longo dos dois últimos anos, a empresa desenvolveu de forma discreta capacidades mais sofisticadas relacionadas à inteligência artificial.

Os computadores Mac Studio, inicialmente dirigidos a criadores de conteúdo digital - profissionais que trabalham com edição de vídeo ou produção musical - receberam incrementos tecnológicos menos óbvios, mas potencialmente transformadores. Um desses incrementos foi a implementação de um protocolo chamado RDMA over Thunderbolt. Trata-se de uma rede especializada que permite que múltiplos computadores Mac Studio se conectem entre si com uma eficiência comparável à de sistemas mais tradicionais de processamento paralelo, mas utilizando portas de conectividade já existentes.

Essa capacidade de conectar máquinas em rede, mantendo altíssima velocidade de comunicação entre elas, possibilita que tarefas de inteligência artificial sejam distribuídas entre vários equipamentos, expandindo dramaticamente a potência de processamento disponível.

O Desafio de Enfrentar a Hegemonia do Windows

Apesar da inovação técnica, a Apple enfrenta um obstáculo comercial considerável. De acordo com análises da firma de pesquisa de mercado IDC, a participação da marca na categoria de desktops corporativos é de aproximadamente 4,6 por cento. Em contraste, o Windows comanda 91,3 por cento desse mesmo mercado. Essa disparidade não é acidental, mas resultado de décadas de investimento da Microsoft em parcerias com fornecedores de hardware, suporte a múltiplas arquiteturas de processador e integração profunda com fluxos de trabalho empresariais.

Conquistar uma fatia significativa desse território demanda mais do que simplesmente oferecer melhor desempenho técnico. Requer convencimento dos departamentos de tecnologia das organizações, compatibilidade com sistemas legados existentes, e desenvolvimento de ecosistema de aplicações específicas para o ambiente Mac.

A Resposta da Microsoft e a Disputa pela IA Corporativa

A Microsoft não permanece passiva nesse cenário. O presidente-executivo da companhia, Satya Nadella, tem se referido à sua visão como "inteligência ilimitada" - um conceito que centraliza a capacidade de processamento de IA diretamente nos dispositivos dos usuários, em vez de depender exclusivamente de serviços em nuvem.

Parte da estratégia da Microsoft envolve a integração de recursos de inteligência artificial em um "superaplicativo" para o Windows. A ideia subjacente é tornar a IA uma característica tão integrada ao sistema operacional que seja praticamente transparente para o usuário final e os desenvolvedores de aplicações.

Contudo, a vantagem histórica da Microsoft em computação corporativa - sua capacidade de trabalhar com uma amplitude de fornecedores de hardware - pode converter-se em desvantagem quando o objetivo é otimizar IA em um chip específico. Enquanto a Apple controla totalmente seu hardware e software, possibilitando otimizações profundas e específicas, a Microsoft precisa assegurar compatibilidade com chips de múltiplos fabricantes, gerando um trabalho adicional para os engenheiros do Windows que buscam extrair o máximo desempenho de cada plataforma de processador.

A própria Microsoft reconheceu esse ponto em comunicado divulgado. A empresa afirmou estar em colaboração contínua com seus parceiros de fabricação de chips, visando otimizar a execução de inteligência artificial mediante suas ferramentas Windows ML. Adicionalmente, indicou que características como RDMA constituem uma área ativa de investigação e desenvolvimento dentro da corporação.

Tecnologia, Custo e o Futuro do Trabalho Corporativo

A verdadeira questão que se coloca vai além de qual plataforma possui melhor desempenho em testes de laboratório. A questão é econômica e prática. Se empresas conseguem adquirir máquinas capazes de processar modelos sofisticados de inteligência artificial sem necessidade de subscrever indefinidamente a serviços em nuvem, isso representa uma mudança fundamental no modelo de despesa em tecnologia.

Ao mesmo tempo, a Microsoft possui uma vantagem histórica incontestável: a maioria das empresas já possui investimento significativo em sua plataforma. Migrar para Macs implicaria em custos de reconversão, retreinamento de equipes e adaptação de fluxos de trabalho já consolidados.

O que Acompanhar

A trajetória dessa disputa deve revelar-se ao longo dos próximos meses. O evento que a Microsoft está preparando em São Francisco será um indicador importante sobre sua resposta estratégica. Será interessante observar se a companhia introduzirá seus próprios computadores especializados em IA, parcerias ampliadas com fabricantes de chips, ou ambas as coisas.

Também será relevante monitorar como o mercado corporativo responde à proposta da Apple. Se algumas organizações começarem a adotar os novos Macs para atividades específicas de IA, isso sinalizaria que a Apple conseguiu criar uma brecha no domínio praticamente absoluto do Windows no segmento corporativo.

Adicionalmente, o desenvolvimento contínuo de recursos como RDMA over Thunderbolt e possíveis expansões dessa conectividade podem transformar os Macs em opção viável para atividades que historicamente pareciam exclusivas de servidores tradicionais.

Por fim, a questão dos custos operacionais de longo prazo - se empresas realmente economizam substituindo serviços em nuvem por equipamentos locais - será testada nos próximos trimestres de operação.

Principais pontos:

• Apple lança novos Mac Mini e Mac Studio com capacidade de processar inteligência artificial localmente, eliminando a necessidade de pagar tokens a empresas como OpenAI e Anthropic.

• Os equipamentos podem custar próximo a vinte mil dólares e conseguem realizar tarefas que historicamente exigiam data centers, demonstrando processamento de modelo com um trilhão de parâmetros.

• Microsoft enfrenta desafio de otimizar inteligência artificial em múltiplas plataformas de chips diferentes, enquanto Apple controla totalmente seu ecossistema de hardware e software.

• Apple possui apenas 4,6 por cento do mercado corporativo de desktops, contra 91,3 por cento do Windows, indicando montanha a ser escalada na busca por ganho de participação.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de UOL Tilt — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.

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