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Justiça manda soltar suspeito de esquema do PCC em empresa de ônibus

UOL Notícias ·
Justiça manda soltar suspeito de esquema do PCC em empresa de ônibus

A Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus e determinou hoje a soltura do ex-diretor da empresa de ônibus Transunião Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão. Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que teria usado a companhia para movimentar e lavar dinheiro.

Jair estava preso temporariamente desde 25 de junho, quando foi alvo da Operação Última Parada, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. Em 24 de julho, a Justiça havia prorrogado a prisão por mais 30 dias.

A desembargadora Carla Rahal, da 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, porém, cassou a prorrogação e determinou a imediata expedição do alvará de soltura. A decisão acolheu o argumento da defesa, representada pelos advogados Anderson Minichillo da Silva Araújo e Jaqueline Dantas Modesto, de que não havia base legal para manter a prisão temporária pelo prazo de 30 dias.

A desembargadora concordou que a prisão temporária não poderia ter sido prorrogada por 30 dias. Segundo ela, os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro investigados no caso não são considerados hediondos ou equiparados a hediondos e, portanto, não permitem a aplicação do prazo excepcional previsto para esses delitos.

A decisão rejeitou, porém, a possibilidade de transformar a prisão temporária em prisão preventiva. O argumento usado pela defesa de Jair é semelhante ao apresentado no habeas corpus do vereador Senival Moura (PT) , também investigado no caso. A Justiça concedeu liberdade ao parlamentar no início deste mês após acolher entendimento semelhante sobre a ilegalidade da prorrogação da prisão temporária.

Jair foi um dos três presos na Operação Última Parada, deflagrada em 25 de junho pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Também foram presos na ocasião o vereador Senival Moura (PT) e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como Sapo.

A operação cumpriu cinco mandados de prisão temporária. Os outros dois alvos eram Lourival de França Monário, presidente da Transunião, e Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do esquema; eles não foram localizados na ocasião.

A suspeita é de infiltração do PCC na Transunião, empresa que opera linhas de ônibus na zona leste de São Paulo. Segundo a investigação, um grupo que atuava paralelamente à estrutura formal da companhia tomava decisões e direcionava recursos a pessoas ligadas à facção.

A apuração começou a partir de outro crime : o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, em 4 de março de 2020. Documentos e dispositivos apreendidos após a morte ajudaram a polícia a identificar indícios de lavagem de dinheiro e de participação do crime organizado na empresa.

Jair também responde a processo pela morte de Adauto. Segundo a acusação, ele foi o responsável pelos disparos que mataram o ex-presidente da Transunião em um estacionamento no bairro de Lajeado, na zona leste da capital.

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