Motta e Alcolumbre se aliam a Lula para ficar no poder
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Hugo Motta e Davi Alcolumbre costuraram um acordo com Lula para manter o comando da Câmara e do Senado. José Roberto de Toledo e Thais Bilenky avaliam no A Hora , do Canal UOL.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana. O podcast de notícias do UOL, com os jornalistas, está disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
A análise aparece depois de uma semana em que o Senado aprovou a PEC que acaba com a escala 6x1 e avançou em outra proposta do governo, a PEC da Segurança Pública. Para Bilenky, a movimentação tem menos a ver com o passado e mais com o cálculo para a próxima legislatura.
O Centrão, o 'Arenão' - somando União Brasil, Republicanos, Partido Progressista, MDB e PSD -, tem 209 deputados na próxima legislatura. Isso significa que o Centrão pode se aliar ao bloco da esquerda ou ao da direita de acordo com a sua conveniência. O bloco também aproveitou para respaldar, reassegurar e retomar o acordo para apoiar a reeleição de Hugo Motta na presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre na do Senado, independentemente de quem ganhar para a presidência da República. Thais Bilenky
Segundo Bilenky, a votação no Senado e a tramitação de projetos na Câmara entraram no mesmo pacote de negociação. Ela cita como exemplo a aprovação de um projeto do governo que elevou o teto de renda dos MEIs e perdoou quase R$ 13 bilhões em dívidas, além de prever um pagamento de R$ 5.000.
Toledo diz que Alcolumbre assumiu um risco ao pautar a PEC do fim da escala 6x1, apesar da oposição do PL. Na leitura que ele atribui a interlocutores do Planalto, o presidente do Senado teria mais interesse na vitória de Lula do que na de Flávio Bolsonaro.
Diante do resultado do primeiro turno, a conversa com Alcolumbre foi no sentido de que, com esse número de senadores que o PL elegeu, ele não vai mais ser presidente do Senado se o Flávio for presidente da República. Então há muito mais interesse na eleição do Lula porque as chances de permanecer na presidência do Senado são maiores. Isso motivou a aprovação do fim da 6x1. José Roberto de Toledo
Bilenky afirma que Alcolumbre acumulou capital político ao longo da presidência, especialmente com emendas, e escolheu onde gastar esse poder. Para ela, o cálculo do Congresso também passa por como qualquer presidente eleito olha para a governabilidade e para o risco de impeachment.
Na avaliação de Toledo, uma reunião de dez partidos deixou mais nítida a divisão do Congresso em três núcleos - esquerdo, direito e aquele entre as pontas - e levou esse "miolo" a agir de forma mais coordenada para não perder espaço.
Ficou claro que agora o Congresso Nacional tem três blocos: um da esquerda - que é minoritário, mas não desprezível; um da direita - que é maior que o da esquerda, mas não é a maioria; e um que está encolhendo e representa tudo entre as duas pontas. Este está vendo que, como está encolhendo a cada eleição, ou age em conjunto, tenta achar denominadores comuns para negociar com uma ponta ou com outra, ou vai sumir ou se tornar irrelevante. José Roberto de Toledo
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