Faria Lima sinaliza virada de Lula com dólar subindo e Bolsa de Valores caindo
A Faria Lima, principal centro do mercado financeiro brasileiro, começou a dar sinais de que a euforia com a possibilidade de eleger Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República pode ter sido precipitada.
Nesta terça-feira (13), o dólar abriu em alta e a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou queda, em meio à divulgação da primeira pesquisa BTG/Nexus para o segundo turno, que mostra o senador tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na abertura do pregão, a moeda norte-americana avançava 0,55%, cotada a R$ 5,013, enquanto o Ibovespa recuava 0,80%, aos 207.383 pontos.
O movimento contrasta com a disparada dos ativos brasileiros registrada após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula, em 4 de outubro.
A pesquisa encomendada pelo BTG Pactual, um dos principais bancos de investimentos do país, mostra Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico, indicando que a disputa permanece aberta a menos de duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre os dias 10 e 12 de outubro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07997/2026.
A movimentação dos investidores sugere uma revisão das apostas feitas após o primeiro turno.
Embora o desempenho dos mercados também seja influenciado por fatores internacionais, realização de lucros e indicadores econômicos, a pesquisa eleitoral entrou no radar dos operadores justamente por colocar em dúvida a vitória do candidato do PL, tratada como altamente provável por parte dos analistas.
Da euforia com Flávio à cautela com o segundo turno A mudança de humor contrasta com a recepção entusiasmada que o mercado financeiro deu à vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno.
Em 5 de outubro, primeiro pregão após a votação, a Bolsa brasileira disparou 7,70%, atingindo o recorde histórico de 206.911 pontos.
O dólar despencou 4,12%, encerrando o dia a R$ 5,0022, na maior queda diária da moeda norte-americana em mais de oito anos.
Naquele dia, as empresas que compõem o Ibovespa ganharam aproximadamente R$ 372 bilhões em valor de mercado, em um movimento impulsionado pela expectativa de vitória da direita e de adoção de uma política econômica mais alinhada aos interesses dos grandes investidores.
A reação não se limitou a um único pregão.
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